A delação do fim do mundo
“Cada povo tem o governo que merece”
01/06/2026 • 10:10
Ao eminente amigo, Senador Ângelo Coronel
Na história das delações premiadas, no Brasil, esta do banqueiro Daniel Vorcaro é a mais emperrada. Desde sua última prisão, em 04 de março, quando anunciou a decisão de fazer delação premiada, nada revelou que tenha chegado ao conhecimento público. A causa por todos intuída reside na incansável busca do que fazer ou não fazer para eliminar a participação de gente grande, como o Presidente da República, ministros de estado e da Suprema Corte, atolados até as fuças na prática de crimes que tipificam a mais descarada advocacia administrativa de que se tem memória na história dos povos modernos.
Como se não bastasse o envolvimento do irmão e do filho do Presidente Lula, Frei Chico e Lulinha, no ominoso roubo dos velhinhos aposentados do INSS, a quem o Procurador Geral da República e o comando da Polícia Federal, mancomunados com ministros delinquentes do STF, procuram blindar, como mecanismo para virem a merecer a premiação de novas e importantes posições, como a de integrar o Excelso Pretório, o Sistema, agora, está a braços com a impossível missão de livrar o Presidente Lula, como o maior facilitador das bilionárias estrepolias financeiras do rocambolesco banqueiro Daniel Vorcaro.
O que já vazou para o conhecimento geral é que as datas em que Lula recebeu Vorcaro, em Palácio, fora da agenda oficial, são o marco para o avanço do Banco Master como o maior e mais abrangente corruptor de autoridades governamentais de qualquer país no Mundo. Diga-se, em nome da verdade, que não foi Lula, nem o PT, que inventaram a corrupção. Verdade é, também, que foram eles quem aperfeiçoou e ampliou a corrupção em escalas sesquipedais, dando atualidade gritante à advertência de Estanislau Ponte Preta, o jornalista Sérgio Porto(1923-1968), ao sentenciar, profético: “Acabemos com a corrupção, ou locupletemo-nos todos”.
O mar de corrupção que cobre o Brasil evidencia que já chegamos ao patamar de República de Bananas que nos ultraja aos olhos do Primeiro Mundo. O jornalista Roberto Pompeu de Toledo, também profético, ainda no século passado, observou que o Brasil avançava, rapidamente, da posição de um país tolerante com a corrupção, para abrigar um povo, essencialmente, corrupto. Sem dúvida, só uma população majoritariamente corrompida pode eleger e reeleger um Presidente comprovadamente ladrão, como tal condenado, reiteradamente, em todas as esferas do Poder Judiciário.
A esperança que a parte ainda moralmente sã da sociedade brasileira alimenta, de que os culpados no escândalo Master serão punidos, reside na presença do jovem, competente e íntegro Ministro do STF André Mendonça como relator do Processo. O que se teme é que ele venha a ser afastado, por fatores vários, como aconteceu com algumas personalidades da vida pública brasileira, em episódios insuficientemente esclarecidos que não excluem lamentáveis “acidentes” fatais.
Aprendi, desde cedo, com as reiteradas lições de meus saudosos pais, Dona Mariana e Senhor Goesinho, que ambos os integrantes do binômio corrompido e corruptor são condenáveis. Igualmente, aprendi, que, na inescapável condição de ter que escolher entre os dois males, o corruptor figura num plano de superioridade. Daniel Vorcaro é, sem dúvida, um meliante que deve ser punido. Forçoso é reconhecer, também, que são piores do que ele os funcionários públicos que se deixaram corromper.
Tem razão Joseph de Maistre(1753-1821): “Cada povo tem o governo que merece”(Toute nation a le gouvernement qu´élle mérite).
Joaci Góes
Joaci Goés é advogado, jornalista e empresário, além de ter sido deputado federal pela Bahia entre 87 e 91. Também ocupa o cargo de diretor da Associação Comercial da Bahia e sócio do Instituto Genealógico da Bahia.
