Crônica de uma tragédia anunciada
05/06/2026 • 08:00 • Atualizado
Ao eminente Desembargador Abelardo Paulo da Matta Neto.
O desastre que no último domingo matou dezesseis pessoas de uma só família, na BR 116, nas proximidades de Santa Teresinha, na Bahia, no gênero, o maior do Brasil em todos os tempos, constitui, na realidade, o desfecho previsível do panorama sombrio em que o Estado Mãe do Brasil mergulhou, nos últimos vinte anos, sob os governos do PT.
Com efeito, a Bahia que já foi uma das regiões mais ricas do continente americano, desde o seu povoamento até fins do Século XIX, apresenta-se, na atualidade, nesse mesmo espaço, como uma das comunidades de mais baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), de tal modo são precários os indicadores sociais que mensuram esses critérios.
De fato, é de arrepiar casco de cágado a velocidade e intensidade de nossa decadência quando nos comparamos com a prosperidade do Primeiro Mundo, em geral, e, até mesmo, com praticamente todas as unidades de nossa precária Federação, inclusive com as mais modestas do Norte e Nordeste do País, apesar, de continuarmos a nos manter, coletivamente, no já velho e sempre vergonhoso patamar de República de Bananas, de tal modo nos tornamos, como povo, coriáceos aos mais vergonhosos arreganhos da violência, injustiça, desigualdade e corrupção desenfreada.
Fiquemos na Bahia, Estado que constitui o mais fiel curral eleitoral de um partido político que, embora não tendo sido o criador, é o campeão, indiscutível, em matéria de corrupção, de que são prova os históricos episódios do Mensalão, Petrolão e , agora, do roubo dos velhinhos do INSS e do mega escândalo do Banco Master que, aliás, nasceu na Bahia, durante o Governo Petista de Rui Costa, cujos desdobramentos farão corar monges de pedra, com marcante destaque para a participação do Presidente Lula, a partir das quatro audiências, fora da agenda oficial, que ele concedeu ao banqueiro Daniel Vorcaro, razão pela qual a delação premiada do banqueiro continua emperrada, sete meses depois de sua prisão.
A Bahia vai mal porque nossa educação é a pior do Brasil. O povo baiano é o mais doente do País e de menor longevidade, porque temos o pior saneamento básico que atrofia o desenvolvimento intelectual dos que nascem e crescem privados desse recurso fundamental. Temos os mais graves índices de homicídio, feminicídio, estupro, furtos e roubos, porque mantemos nossos pobres coitados irmãos, numericamente majoritários, prisioneiros da enganação populista de uma esquerda irresponsável terceiro-mundista, que à livre competição, como a força propulsora do desenvolvimento e do enriquecimento geral, como ocorre no primeiro mundo, prefere a solidificação de um estado socorrista que os mantém prisioneiros da trágica comodidade da proteção de um Estado assistencialista e irresponsável que aposta no nós contra eles, a partir da insistência no bordão de uma nota só do nós, os mais numerosos, contra eles, poucos, mas ladrões expropriadores de nossas riquezas. Daí à prosperidade da crença de que a pobreza é o resultado da apropriação fraudulenta das riquezas pelo empresariado é um passo.
A grande maioria pobre da população baiana compõe, hoje, no Brasil, o segmento mais carente e sofrido da população brasileira, numa trágica magnificação da Síndrome de Estocolmo, fenômeno psicológico que leva as vítimas de torturas a amarem os seus torturadores, como mecanismo de sobrevivência emocional. É por cálculo político que o PT, mesmo tendo na maioria pobre dos baianos, historicamente, o seu maior reduto eleitoral, entre pouco e nada fazem em favor de nosso estado, porque sabem os seus líderes que sua sobrevivência e manutenção do poder dependem, sobretudo, da manutenção da ignorância, através de má educação e da dependência pelo assistencialismo que os mantêm em permanente estado de subjugação material e psicológica.
Não estranha o abandono em que se encontra nosso grande patrimônio cultural e que nós tenhamos transformado na pátria do crime organizado, a ponto de ficarmos expostos, Bahia e Brasil afora, à ação de nações estrangeiras para devolver nossa paz social.
Joaci Góes
Joaci Goés é advogado, jornalista e empresário, além de ter sido deputado federal pela Bahia entre 87 e 91. Também ocupa o cargo de diretor da Associação Comercial da Bahia e sócio do Instituto Genealógico da Bahia.
