
Ponto de vista: Agonia de um grande poder
Críticas ao STF e ao cenário político refletem tensão institucional e desconfiança crescente no país
23/04/2026 • 17:43
A crise vivenciada pelo STF ganhou foros de universalidade, dentro e fora da própria Suprema Corte: é impossível a restauração de sua dignidade sem o afastamento definitivo dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, por absoluta quebra do decoro de suas excelências, ao se locupletarem através da prática da mais descarada advocacia administrativa de que se tem memória na história do País.
Ainda que as restrições interna-corporis ao ministro Gilmar Mendes sejam gerais e intensas, considera-se que sua precoce e desejável aposentadoria só poderá ser alcançada pela via voluntária, apesar de continuarem ecoando na alma do povo brasileiro as diatribes lançadas em rosto do polêmico ministro pelos seus colegas de ofício Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski e Luiz Roberto Barroso.
Tamanha foi a gravidade das ofensas proferidas em rosto que a continuidade da boa convivência seria impossível num ambiente de organização privada. Sua excelência, porém, age como se nada tivesse acontecido, tanto que, volta e meia, cria novos constrangimentos para os seus pares, inclusive agudizando a crise de convivência do Judiciário com o Legislativo, numa reiterada demonstração do quanto ignora a prática do preceito kantiano, segundo o qual “integridade é obediência ao que não é exigido”.
Sem sombra de dúvidas, o caso mais grave é o do ministro Alexandre de Moraes, pelo seu farisaico comportamento como se fora enviado do Olimpo para restaurar a dignidade perdida do povo brasileiro, distribuindo, a mancheias, regras de uma dignidade redentora que demonstrou não possuir, minimamente, como se viu do seu ostensivo apadrinhamento das estrepolias do controlador acionário do liquidado Banco Master.
O que ainda sairá do inquérito em curso, sobre o momentoso escândalo, fará corar de vergonha monges de pedra. Acredita-se que o envolvimento do presidente Lula, a partir das quatro reuniões, fora da agenda oficial, com o empresário Daniel Vorcaro, será ainda mais grave do que as roubalheiras comprovadas no Mensalão e na Operação Lava Jato, nos seus dois primeiros governos.
Pai e mãe da malandragem política, ao perceber a queda livre de sua popularidade e aumento de sua rejeição, aparentemente imparáveis, o presidente Lula apresenta-se como um falso e ativo mercador internacional, vendendo produtos brasileiros, ao tempo em que evita a inquirição dos repórteres que querem saber por que ele tanto lutou para impedir o depoimento do filho Lulinha e do irmão Frei Chico, apontados, ambos, como os maiores beneficiários do roubo dos velhinhos contribuintes do INSS.
Isso sem falar no custo mensal do seu cartão corporativo, que consome milhões de reais a cada mês, apesar de todas as despesas presidenciais correrem por fora do dito cartão. Um escândalo que um povo sério não pode suportar.
Os custos mensais de Lula são centenas de vezes maiores do que os do seu vice, Geraldo Alckmin. Um escândalo que só o povo de uma República de Bananas pode suportar!
A verdade, que os fatos diariamente corroboram, é que Lula está decidido a destruir o futuro do Brasil (après moi, le déluge), se este for o preço a pagar pela conquista de um quarto mandato, tragédia social que levará o Brasil a submeter-se a uma curatela internacional, nos níveis já praticados por países infelizes como a Venezuela e Cuba.
Se, ainda assim, sua queda livre em popularidade persistir, ele arguirá o que for mais conveniente para ser substituído por Haddad, o mais provável herdeiro político do lulismo, evitando, assim, que sua rocambolesca trajetória política se encerre com acachapante derrota eleitoral.
Falta pouco, muito pouco, pouco mesmo, para sabermos se o povo brasileiro optará pela salvação ou pelo suicídio econômico-político.
Quem viver, verá!
Joaci Góes
Joaci Goés é advogado, jornalista e empresário, além de ter sido deputado federal pela Bahia entre 87 e 91. Também ocupa o cargo de diretor da Associação Comercial da Bahia e sócio do Instituto Genealógico da Bahia.