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Quem tem medo de Chico Pinto?

08/08/202623:53

Quem tem medo de Chico Pinto? Enquanto muitos se calavam por medo ou conveniência, o político Francisco Pinto foi um dos porta vozes da oposição baiana à ditadura militar que imperou no Brasil por longos 21 anos. Filho da princesinha do Sertão, Feira de Santana, ainda muito jovem Chico Pinto foi vereador, e se destacou perante seus pares pelas suas ideias horas reacionárias, fazendo critica a campanha do ‘petróleo é nosso” e hora revolucionárias, defendendo os ideais comunistas e elogiando a revolução cubana e seu líder Fidel Castro.

Foto Quem tem medo de Chico Pinto?
Foto: Internet

Com esse carisma revolucionário de um homem sem papas na língua, foi prefeito de Feira de Santana em 1962 pelo Partido Social Democrático - PSD, em uma disputa acirradíssima com seu rival da União Democrática Nacional – UDN com João Durval Carneiro, vencendo as eleições com algumas dezenas de votos á mais. Sua gestão foi marcada por uma revolução nos costumes políticos da cidade, governada anteriormente por tradicionais famílias descompromissadas com os mais pobres.

Em um país politicamente tenso e de impasses políticos, Chico Pinto clamava pelas ruas de Feira de Santana pela organização dos trabalhadores e propagandeava as Reformas de Base do governo do presidente da República João Goulart, reunindo em praças públicas milhares de trabalhadores. Nenhuma obra era realizada em Feira de Santana sem a consulta popular. Essa era a ideia!

Chico Pinto não tinha medo! Em abril de 1964, foi cassado e preso, sendo substituído pelo udenista Joselito Amorim. Perseguido, respondeu diversos processos, mas foi absolvido em todos. Na resistência à ditadura militar, foi um dos fundadores em 1966 do Movimento Democrático Brasileiro na Bahia. Eleito deputado federal em 1971, radicalizou ao discordar da posição do partido perante o governo militar, fundando com alguns parlamentares uma facção interna denominada de “grupo autêntico ou MDB autêntico”.

Em pleno mandato de deputado, após fazer severas críticas a ditadura chilena e seu ditador general Augusto Pinochet em uma rádio na sua cidade, foi preso, ficando recluso por seis meses. Após o cárcere, volta para Feira de Santana como herói popular, sendo homenageado pelo cineasta Olney São Paulo com o documentário “Pinto vem ai”, ganhador do prémio do V Festival Brasileiro de Curta Metragem do Jornal do Brasil, além de outros festivais.

Em 1979 se envolvido em uma celeuma com o ministro Delfim Neto ao tornar público um dossiê do coronel Raimundo Saraiva Martins, denunciando o ministro por ter embolsado uma propina, na época chamada de comissões ilícita no valor de 6 milhões de dólares, disponibilizada por fornecedores estrangeiros de equipamento hidráulico, sendo o dinheiro depositado em um banco na Suíça segundo a denúncia. Chico Pinto foi processado pelo poderoso ministro, além de ter sua vida devassada.

Foi outras vezes deputado federal e candidato a governador nas previas do PMDB em 1982, desistindo para apoiar o ex governador Roberto Santos que perdeu as eleições para o candidato carlista e rival de Feira de Santana João Durval Carneiro. Destemido, Chico Pinto cravou seu nome na história da Bahia como um baiano combativo e comprometido com a democracia.

 

Vinicius Jacob

Vinicius Jacob é professor, pesquisador, especialista em história da Bahia. Pesquisador sênior do livro 50 anos de urbanização: Salvador da Bahia do século XIX.