Beneditinos, os donos de quase tudo.
24/07/2026 • 06:37
Ordem religiosa fundada em Monte Cassino, Itália em 529, os Beneditinos chegaram à Bahia logo após a fundação da primeira capital portuguesa no Brasil, Salvador em 1581. Aqui construíram seu mosteiro, aproveitando-se das doações recebidas pelo governo local e principalmente dos particulares.
Prometendo a salvação das almas do purgatório e perdão pelos pecados, bem como zelando pela espiritualidade dos ricos da Bahia, os monges beneditinos acumularam ao longo de sua existência doações de terras, terrenos e inúmeros imóveis urbanos localizados em áreas valorizadas da metrópole soteropolitana, estando, em sua maioria, construídos e incorporados às dinâmicas atuais do mercado imobiliário da cidade que a maioria da população desconhece.
Eram igrejas, casas, fazendas, incontáveis sítios e engenhos de cana de açúcar espalhadas pelas principais freguesias da cidade, recôncavo, litoral sul e norte, além de propriedades na região do São Francisco, bem como o empréstimo de dinheiro a juros. Só para vocês terem uma ideia da riqueza acumulada em mais de 400 anos dessa ordem religiosa em terras baianas, o plano de modernização e ampliação da cidade de Salvador para o sul e leste no início do século XX passavam pelas propriedades dos monges beneditinos.
Abeis negociadores, e tendo a eternidade como horizonte, os monges não despedaçavam as oportunidades que surgiam de trocas e compras de propriedades, adquirido casas, terrenos e fazendas, ampliando e fortalecendo seu patrimônio. Suas propriedades, terras essas doadas ou adquiridas, se estendiam desde a península de Itapagipe, passando pela Barra, Rio Vermelho Itapoã até os confins de Santo Amaro de Ipiranga, hoje município de Lauro de Freiras.
O mosteiro de São Bento enquanto empresa eram auto-suficientes em tudo que se relacionava ao seu universo econômico. Seus engenhos localizados na região de São Francisco do Conde eram os mais bem equipados no tocante a tecnologia utilizada, bem como a quantidade de escravizados servindo como mão de obra. As fazendas localizadas no Rio Vermelho, Itapoá, Ipitanga e em algumas cidades do recôncavo, forneciam desde animais para o transporte, como também alimentos e materiais de construção.
A partir de meados do século XIX os beneditinos começaram a se afastar da produção agrícola, vivendo de renda, dinheiro esses oriundos das suas propriedades que resultam dos aluguéis, foros e laudêmios. Nenhuma outra ordem influenciou no progresso e expansão de Salvador como irmãos beneditinos.
Vinicius Jacob
Vinicius Jacob é professor, pesquisador, especialista em história da Bahia. Pesquisador sênior do livro 50 anos de urbanização: Salvador da Bahia do século XIX.
