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Projeto contra o Kiss & Fly sai de pauta e votação fica para após o recesso

Câmara Municipal decide adiar votação e frustra entidades que vêem projeto como "abusivo"

Por: Redação

17/06/202616:19Atualizado

A votação do projeto de lei que pretende barrar a implantação do sistema Kiss & Fly no Aeroporto Internacional de Salvador foi adiada pela Câmara Municipal nesta quarta-feira (17). A proposta, de autoria do presidente da Casa, Carlos Muniz (PSDB), estava prevista para ser apreciada na última sessão antes do recesso parlamentar, mas acabou retirada de pauta após entendimento entre as bancadas de governo e oposição.

Foto Projeto contra o Kiss & Fly sai de pauta e votação fica para após o recesso
Foto: Luis Ganem / Portal Esfera

Segundo o líder do governo na Câmara, vereador Kiki Bispo (União Brasil), a decisão foi tomada devido à necessidade de uma análise mais aprofundada de diversos projetos que tramitam na Casa.

“Como temos vários projetos na pauta, acabamos não tendo o entendimento e consenso entre os números e o parecer das comissões. Então, as bancadas deliberaram que os projetos sejam apreciados logo depois do recesso e os vereadores poderão votar sim ou não para cada projeto que versa sobre o tema”, afirmou.

O adiamento frustra a expectativa de setores que defendem a aprovação imediata da proposta, que proíbe a cobrança de taxas e a instalação de cancelas em áreas destinadas ao embarque e desembarque de passageiros. A medida tem como principal alvo o modelo Kiss & Fly, implantado em caráter de testes pela Vinci Airports, concessionária responsável pela administração do terminal.

A decisão também gerou reação entre representantes da categoria dos taxistas. Ao Portal Esfera, o presidente da Associação Geral dos Taxistas (AGT), Denis Paim, classificou o adiamento como prejudicial para os usuários e trabalhadores que atuam no aeroporto.

“É um absurdo. É um projeto que beneficiava os taxistas contra essa cobrança absurda. Esperamos que, como foi prometido, seja votado após o recesso. Essa Casa está aqui para trabalhar pelo povo e não para beneficiar empresários que chegam da casa do chapéu para querer mandar na cidade”, declarou.

Denis Paim, presidente da Associação Geral dos Taxistas (AGT)

Denis Paim, presidente da Associação Geral dos Taxistas (AGT)


Questionado sobre a possibilidade de interferência política na retirada da proposta da pauta, Paim evitou apontar responsáveis, mas cobrou celeridade na análise da matéria.

“Os vereadores têm a autonomia deles e o que ouvimos aqui no plenário foi que não havia tempo hábil para analisar a pauta. Esperamos que nesse recesso esse tempo hábil exista e que eles votem a favor do povo para extinguir essas cancelas”, acrescentou.

Adiamento

O adiamento ocorre em meio à crescente polêmica envolvendo o sistema de cobrança adotado pela Vinci Airports. Nos últimos meses, o modelo passou a ser alvo de críticas de taxistas, motoristas por aplicativo, usuários e vereadores, que consideram abusiva a cobrança para permanência nas áreas de embarque e desembarque do aeroporto.

Kiki Bispo também criticou a condução do debate por parte da concessionária e, especialmente, do CEO da Vinci Airports Brazil, Júlio Ribas, que recebeu críticas internas e vê seu cargo em risco na multinacional.

“A forma como o presidente da Vinci tratou essa matéria foi muito ruim. A Câmara é uma Casa secular, temos autoridade e legitimidade para tratar dos assuntos do nosso município porque o povo assim decidiu. Muito diferente de qualquer CEO da vida, que acha ser maior do que é”, disparou.

A expectativa agora é que o projeto retorne à pauta logo após o fim do recesso legislativo. Segundo líderes da Câmara, o tema já está acordado para ser apreciado nas primeiras sessões da retomada dos trabalhos parlamentares.