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Câmara amarra acordo para votar projeto que proíbe Kiss & Fly

Sistema de cobrança no meio-fio do aeroporto tem gerado críticas da claque política

Por: Redação

20/05/202616:05

Um acordo na Câmara Municipal entre oposição e situação pode viabilizar a votação do projeto do vereador Carlos Muniz (PSDB), que propõe proibir a cobrança pelo acesso a áreas de embarque e desembarque em Salvador, após a polêmica implantação do sistema Kiss & Fly no Aeroporto de Salvador, feita pela Vinci, concessionária que administra o espaço.

Foto Câmara amarra acordo para votar projeto que proíbe Kiss & Fly
Foto: Marcos Flávio Nascimento / Portal Esfera

A expectativa é que a matéria seja votada na próxima terça-feira (26). O  Projeto de Lei nº 108/2026, deveria ter sido apreciado na última semana durante sessão, mas a ausência do autor, que também é presidente do espaço, inviabilizou a apreciação.

Segundo fontes do Portal Esfera, o texto avançou na Câmara, após ser aprovado nas comissões de Constituição de Justiça (CCJ), Finanças, Orçamento e Fiscalização e na Comissão de Transportes, Trânsito e Serviços Públicos Municipais.

Agora, oposição e situação amarram um acordo que possa botar o projeto em votação juntamente ao do vereador Randerson Leal (Podemos), que versa sobre a proibição da instalação de cancelas e a cobrança de tarifas de estacionamento em áreas destinadas ao atendimento de urgência e emergência em hospitais públicos e privados da capital.

Kiss & Fly: 'Medida abusiva'

O sistema Kiss & Fly começou a ser testado no início do mês pela concessionária Vinci, estabelecendo a cobrança de R$ 18 para veículos que permaneçam por mais de 10 minutos nas áreas de embarque e desembarque.

Em conversa recente com o Portal Esfera no Rádio, apresentado por Luís Ganem, Muniz afirmou que a medida era abusiva e condenou a ausência de debate popular sobre o assunto.

"Não houve audiência pública, não houve escuta. A população não foi ouvida. Não podemos permitir que trabalhadores sejam prejudicados sem discussão prévia”, declarou.

O projeto de cobrança já foi alvo de críticas de diversas entidades políticas e sociais e tem estado na pauta dos últimos meses. A presidente da Associação Baiana de Deficientes Físicos (ABADEF), Silvanete Brandão, apontou que o sistema cria barreiras no acesso e na mobilidade dentro do terminal.

As críticas vieram também da Associação Geral dos Taxistas (AGT), após o presidente Denis Paim apontar impactos diretos na rotina da categoria e cobrar mais clareza sobre a implementação do modelo.

“Como é que nós vamos desembarcar um passageiro com 10 minutos? O passageiro quer conforto, não quer pressa. Muitas vezes precisa organizar bagagem, finalizar pagamento ou até resolver algum imprevisto”, disse.

O projeto também está sob os olhares do Ministério Público da Bahia, que abriu inquérito para investigar supostas irregularidades envolvendo a Vinci Airports, concessionária responsável pela administração do Aeroporto de Salvador.