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Taxistas veem manobra política após adiamento do Kiss & Fly em Salvador

Presidente da AGT afirma que categoria teme cobrança e ameaça protestos caso ponto de táxi seja alterado

Por: Domynique Fonseca

18/06/202612:57Atualizado

O adiamento da votação do projeto de lei que pretende barrar a implantação do sistema Kiss & Fly no Aeroporto Internacional de Salvador gerou insatisfação entre representantes dos taxistas que atuam no terminal. Em entrevista exclusiva ao programa Portal Esfera no Rádio, na 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem, o presidente da Associação Geral dos Taxistas (AGT), Denis Paim, criticou a medida e afirmou que a indefinição aumenta a preocupação da categoria.

Foto Taxistas veem manobra política após adiamento do Kiss & Fly em Salvador
Foto: Marcos Flávio Nascimento/Portal Esfera

A proposta, de autoria do presidente da Câmara Municipal, vereador Carlos Muniz (PSDB), seria apreciada na quarta-feira (17), mas foi retirada de pauta após acordo entre as bancadas de governo e oposição. O projeto busca impedir a instalação de cancelas e a cobrança de taxas nas áreas destinadas ao embarque e desembarque de passageiros.

Durante a entrevista, Denis Paim afirmou que a possível implantação do sistema pode trazer impactos para trabalhadores e usuários do aeroporto.

“Hoje nós sabemos que existe essa pretensão de colocar cancelas e cobrar das pessoas que precisam transitar diariamente no aeroporto. Isso prejudica muito a população e também os taxistas, que são uma referência da cidade e os primeiros a receber os turistas que chegam a Salvador”, declarou.

Segundo o presidente da AGT, uma das principais preocupações da categoria está relacionada aos custos que poderiam ser impostos aos profissionais para continuar operando no terminal.

“Nós já pagamos taxas estaduais e federais. Se criarem mais cobranças, isso acaba chegando ao consumidor. Quem vai pagar essa conta é a população”, afirmou.

Ao comentar o adiamento da votação na Câmara, Paim disse acreditar que a discussão poderá ficar paralisada por um longo período.

“No meu entendimento, essa matéria só deve voltar depois das eleições. Ninguém quer criar desgaste nesse momento. A impressão que fica é que estão aguardando o momento certo para liberar a instalação das cancelas”, disse.

 Luis Ganem / Portal Esfera

Luis Ganem / Portal Esfera


O dirigente também voltou a criticar a atuação da concessionária responsável pela administração do aeroporto. Segundo ele, existe uma disputa em torno da permanência da placa que identifica o ponto de táxi comum na área de desembarque.

A polêmica ganhou força após uma tentativa de retirada da sinalização registrada na madrugada do último dia 30. Na ocasião, taxistas impediram a remoção da estrutura e denunciaram o que consideram uma ameaça ao espaço historicamente ocupado pela categoria.

De acordo com Denis Paim, há receio de que uma nova tentativa aconteça sem aviso prévio.

“Eles estão agindo de forma silenciosa. A gente acredita que podem tentar retirar a placa em um momento de menor movimento, em um feriado ou em um período mais tranquilo no aeroporto”, afirmou.

Mensagens não identificadas

O presidente da AGT revelou ainda que recebeu mensagens anônimas relacionadas ao impasse envolvendo a sinalização do ponto de táxi. Embora não tenha apresentado provas sobre a origem dos contatos, ele disse acreditar que a retirada da placa continua sendo uma possibilidade.

“Pelo diálogo que tivemos anteriormente, existe essa intenção. O que ouvimos é que a placa seria retirada porque quem administra o aeroporto entende que tem autonomia para fazer isso”, relatou.

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Questionado sobre uma eventual remoção da estrutura, Denis Paim afirmou que a categoria está mobilizada para reagir.

“Se retirarem a placa, vamos nos reunir para decidir os próximos passos. Os taxistas estão atentos. Nosso objetivo não é prejudicar os passageiros, que também são vítimas dessa situação, mas defender o nosso direito de trabalhar”, declarou.

A discussão sobre o sistema Kiss & Fly tem provocado divergências entre diferentes setores ligados ao aeroporto. Enquanto a concessionária defende o modelo como forma de organizar o fluxo de veículos, taxistas, motoristas por aplicativo e parte dos vereadores argumentam que a medida pode aumentar os custos para quem utiliza o terminal.

Sem consenso entre os parlamentares, o projeto segue sem nova data para votação. Até lá, o debate promete continuar mobilizando trabalhadores, usuários e representantes do poder público em torno do futuro do acesso ao principal aeroporto da capital baiana.