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Taxistas ameaçam fechar Aeroporto de Salvador após nova polêmica

AGT acusa Vinci de favorecer modelo privado e promete mobilização caso placa seja retirada

Por: Marcos Flávio Nascimento

01/06/202612:46Atualizado

A crise envolvendo os taxistas do Aeroporto Internacional de Salvador ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (1º). Após a tentativa de retirada da placa que identifica o ponto de táxi comum no terminal de desembarque, a categoria elevou o tom e passou a ameaçar o fechamento dos acessos ao aeroporto caso a sinalização seja removida.

Foto Taxistas ameaçam fechar Aeroporto de Salvador após nova polêmica
Foto: Bruno Concha / Secom PMS

A declaração foi feita com exclusividade ao Portal Esfera pelo presidente da Associação Geral dos Taxistas (AGT), Denis Paim, que afirmou que a categoria já está mobilizada e pronta para realizar um protesto de grande proporção caso a medida seja concretizada.

Segundo ele, a placa instalada pela Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) representa mais do que uma simples sinalização. Para os profissionais, o equipamento garante a identificação oficial do ponto de táxi comum e protege o espaço de trabalho da categoria dentro do terminal.

A polêmica começou após uma tentativa de retirada da estrutura registrada na madrugada do último sábado (30). Na ocasião, taxistas impediram a ação e relataram tensão no local. Desde então, a disputa passou a envolver a concessionária Vinci Airports, a Semob e representantes da categoria.

AGT fala em fechar acessos ao terminal

Ao comentar o episódio, Denis Paim afirmou que os taxistas não aceitarão perder o espaço destinado ao serviço regulamentado e prometeu reação imediata caso a placa seja retirada.

"Se retirarem a placa regulamentada pelo município, nós vamos fechar o aeroporto e fazer uma grande mobilização", declarou.

De acordo com o dirigente, a categoria já comunicou a possibilidade de protesto a diferentes setores e acompanha diariamente a movimentação no terminal. A preocupação dos profissionais aumentou após relatos de que funcionários da concessionária estariam monitorando a área onde a placa foi instalada.

Ainda segundo Denis, a retirada da sinalização representaria um enfraquecimento da presença dos táxis comuns no aeroporto e abriria espaço para outros modelos de operação dentro do equipamento.

Acusação contra concessionária

Durante a entrevista, o presidente da AGT fez uma acusação mais ampla sobre os interesses por trás da disputa envolvendo a placa.

Segundo ele, a tentativa de retirada da sinalização estaria relacionada à defesa de um modelo de operação privada que, na avaliação da categoria, impõe custos elevados aos profissionais.

"No nosso entendimento, estão tentando empurrar os taxistas para um sistema que exige adesão e pagamentos mensais que inviabilizam a atividade de muitos trabalhadores", afirmou.

Denis também alegou que uma eventual retirada da placa acabaria favorecendo a atuação de transportes irregulares no entorno do terminal, além de enfraquecer a fiscalização sobre os veículos autorizados.

A categoria sustenta que a sinalização instalada pela Semob tem respaldo do município e que qualquer mudança na organização do espaço deve ocorrer mediante diálogo entre os órgãos públicos, a concessionária e os trabalhadores.

Semob consulta Anac sobre o caso

Após a repercussão do episódio, a Semob informou que irá consultar formalmente a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para obter esclarecimentos sobre o projeto atualmente vigente para as áreas de embarque e desembarque do aeroporto.

Segundo a pasta, o objetivo é verificar quais regras regulatórias devem ser observadas em eventuais alterações operacionais, já que o terminal está inserido em uma área sob concessão federal.

Enquanto a consulta não é concluída, a disputa segue aberta e aumenta a tensão entre os taxistas e a administração do aeroporto. A possibilidade de novas manifestações da categoria não está descartada nos próximos dias.