Kiki critica cobrança no aeroporto: “Colocaram o carro na frente dos bois”
Líder do governo critica Kiss & Fly e afirma que votação do projeto deve ocorrer em junho
Por: Domynique Fonseca
02/06/2026 • 15:00 • Atualizado
Durante entrevista ao programa Portal Esfera no Rádio, na rádio Itapoan 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem, o vereador Kiki Bispo (União Brasil), líder do governo na Câmara Municipal de Salvador, afirmou que o Legislativo deve votar ainda em junho o projeto que proíbe a cobrança pelo acesso às áreas de embarque e desembarque do Aeroporto Internacional de Salvador. Na conversa, o parlamentar também fez críticas ao sistema Kiss & Fly implantado pela concessionária Vinci Airports.
"Pode ter certeza que até o final deste semestre nós vamos apreciar a matéria. Acredito que dia 17 a Câmara vai se posicionar de forma ordinária", declarou.
O projeto, de autoria do presidente da Câmara, Carlos Muniz (PSDB), proíbe a cobrança de taxas para acesso às áreas de embarque e desembarque em terminais aéreos e rodoviários da capital. A proposta ganhou força após a Vinci Airports implantar o sistema que prevê cobrança de R$ 18 para motoristas que ultrapassarem dez minutos de permanência no local.
Ao comentar a medida, Kiki questionou a condução do processo e afirmou que faltou diálogo com a cidade antes da implantação do modelo:
"Eu acho que esse gesto tinha que ter sido feito antes. De forma democrática, de forma respeitosa, do tamanho que a Câmara Municipal merece, poderia ter acontecido uma discussão prévia. Me parece que o pessoal da Vinci colocou o carro na frente dos bois."
Mobilidade no aeroporto
O líder do governo também levantou dúvidas sobre a competência para autorizar mudanças que afetam a mobilidade no entorno do aeroporto. Segundo ele, a discussão não envolve apenas a concessão federal do terminal, mas também questões ligadas à organização urbana do município.
Além dos aspectos legais, o vereador destacou os impactos econômicos da cobrança para trabalhadores que dependem do aeroporto, especialmente taxistas e profissionais do transporte de passageiros.
"Eu acho que a cobrança é muito ruim. Salvador é uma cidade muito pobre e muita gente depende desses serviços. Quando você cria uma taxa como essa, acaba prejudicando ainda mais um setor que já enfrenta dificuldades", disse.
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Kiki citou ainda os desafios enfrentados pelos taxistas para manter a atividade e renovar suas frotas. Para ele, a criação de novos custos pode aumentar as dificuldades de uma categoria que depende diretamente da movimentação de passageiros no aeroporto.
Nos bastidores da Câmara, a expectativa é de que a proposta reúna apoio de vereadores da base governista e da oposição. Segundo o parlamentar, o clima entre os colegas indica uma tendência favorável à discussão da matéria.
"Tenho acompanhado o sentimento dos vereadores e acredito que a possibilidade de aprovação é muito real", afirmou.
Caso seja aprovado, o projeto proibirá a cobrança pelo acesso de veículos às áreas de embarque e desembarque em Salvador, além de vedar a instalação de cancelas e catracas nesses espaços. O texto também prevê sanções administrativas para empresas que descumprirem a norma.
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