Taxistas apontam irregularidades e citam ex-secretário em polêmica no aeroporto
Denis Paim fala em denúncias, cita Fabrizzio Muller e cobra investigação
Por: Marcos Flávio Nascimento
23/04/2026 • 19:30
A denúncia de um suposto esquema envolvendo documentos irregulares e prejuízos a taxistas em Salvador ganhou novos contornos após declarações do presidente da Associação Geral dos Taxistas (AGT), Denis Paim. Em entrevista ao Portal Esfera no Rádio, na Itapoan FM (97,5), com apresentação de Luis Ganem, ele afirmou que mais de 100 profissionais já registraram boletins de ocorrência e cobrou avanço das investigações.
Segundo Paim, há indícios de uso de documentos falsos que teriam levado à suspensão de alvarás de taxistas, impactando diretamente o trabalho da categoria.
“Tem mais de cem queixas em delegacias, mas não basta só registrar. É preciso provocar o Ministério Público para que as providências sejam tomadas”, afirmou.
O dirigente também relatou que parte dos taxistas atua como despachante sem autorização legal, o que agravaria a situação. “Quem está denunciando não sou eu, são os próprios taxistas prejudicados”, disse, ao tentar afastar a ideia de disputa pessoal ou política.
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Citação a ex-secretário amplia debate
Durante a entrevista, Paim mencionou o nome do ex-secretário de Mobilidade, Fabrizzio Muller, ao tratar da origem de um projeto relacionado à instalação de cancelas na área do aeroporto. Segundo ele, documentos apresentados indicariam que a proposta teria sido analisada ainda na gestão anterior.
“Existe documento oficializado com o nome do secretário à época autorizando o projeto”, declarou. Apesar disso, o próprio dirigente reconheceu que não havia, naquele momento, definição sobre valores de cobrança ou regras operacionais.
Procurado pelo Portal Esfera, Muller negou qualquer autorização formal. Em resposta exclusiva, afirmou que houve apenas uma análise técnica preliminar.
“Não houve assinatura de contrato. Foi uma avaliação inicial do impacto no trânsito, sem definição de valores ou regras”, explicou.
De acordo com ele, a proposta dependia de estudos complementares, como análise de impacto viário, e não representava aval definitivo para implantação do modelo.
Pressão por investigação e transparência
Paim reforçou que a situação precisa ser esclarecida com urgência, diante dos impactos para trabalhadores e usuários. Ele também destacou que há registros espalhados por diferentes delegacias, o que, na avaliação dele, exige unificação das apurações.
“Só na 6ª delegacia tem mais de 50 queixas. É necessário instaurar inquérito e encaminhar ao Ministério Público”, cobrou.
O caso envolve ainda questionamentos sobre decisões administrativas e possíveis responsabilidades na condução do processo, ampliando a pressão por respostas oficiais e maior transparência sobre o projeto e seus desdobramentos.
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