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Vorcaro eleva oferta para R$ 60 bi em negociação de delação

Banqueiro deseja o avanço de acordo com a PGR após resistência da PF

Por: Redação

22/05/202611:34Atualizado

O banqueiro Daniel Vorcaro aumentou de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor que estaria disposto a devolver em uma eventual colaboração premiada negociada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A informação foi divulgada por interlocutores envolvidos nas tratativas. A tentativa de reformular a proposta ocorre após a resistência da Polícia Federal (PF) em validar o acordo.

Daniel Vorcaro na prisão
Foto: Reprodução/TV Globo

Segundo fontes ligadas ao caso, a avaliação dos investigadores é de que a primeira versão da delação apresentada pelo empresário continha lacunas, omissões e informações consideradas insuficientes para a formalização de uma colaboração premiada.

Apesar disso, a PGR decidiu manter as conversas em andamento. Integrantes da defesa de Vorcaro acreditam que ainda existe margem para negociação junto ao órgão comandado pelo procurador-geral Paulo Gonet.

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De acordo com pessoas próximas às discussões, além da ampliação do valor oferecido, a equipe da PGR teria solicitado uma reformulação completa do roteiro da delação. Nos bastidores, integrantes ligados à investigação afirmam que o banqueiro precisará apresentar informações mais detalhadas e relevantes para que o acordo avance.

Justificativa de tratativas

Os advogados de Vorcaro argumentam que as tratativas começaram inicialmente com a própria Procuradoria-Geral da República e só passaram a envolver a Polícia Federal após a segunda prisão do empresário. Por isso, a defesa avalia que a negociação com a PGR ainda pode prosperar.

Caso a colaboração seja formalizada, caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), analisar e homologar o eventual acordo.

A definição sobre a destinação dos valores também dependerá de decisões conjuntas entre PGR, PF e Supremo. Entre os possíveis beneficiários dos recursos estão o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por indenizar clientes em casos de quebra de instituições financeiras, e o Banco de Brasília (BRB), que teria sido impactado por negociações envolvendo o Banco Master antes da crise.

A eventual divisão dos recursos ressarcidos poderá contemplar instituições financeiras e demais prejudicados, conforme entendimento do Ministério Público e decisão final do STF.