Estrela entra com pedido de recuperação judicial após crise financeira
Fabricante de brinquedos afirma que seguirá operando enquanto tenta reorganizar dívidas
Por: Redação
20/05/2026 • 12:16 • Atualizado
A tradicional fabricante brasileira de brinquedos Estrela protocolou, nesta quarta-feira (20), um pedido de recuperação judicial na Comarca de Três Pontas, em Minas Gerais. O processo também inclui outras empresas ligadas ao grupo.
Em comunicado encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia informou que a medida faz parte de uma estratégia para reorganizar o endividamento e preservar a continuidade das operações.
A recuperação judicial é um mecanismo previsto em lei que permite às empresas renegociar dívidas com credores e evitar a falência. Durante o processo, a organização apresenta um plano de reestruturação financeira para tentar manter as atividades, os empregos e os compromissos comerciais.
Segundo a empresa, fatores como o aumento do custo de capital, a dificuldade de acesso ao crédito e as mudanças no comportamento do consumidor contribuíram para o agravamento da situação financeira nos últimos anos.
A Estrela também citou o crescimento da concorrência, principalmente no ambiente digital, como um dos desafios enfrentados pela companhia. O avanço dos jogos eletrônicos, aplicativos e redes sociais alterou os hábitos de entretenimento do público infantil e impactou diretamente o mercado tradicional de brinquedos.
Apesar do pedido de recuperação judicial, a fabricante afirmou que continuará mantendo suas atividades industriais, comerciais e administrativas normalmente durante o processo.
No comunicado ao mercado, a empresa declarou que pretende apresentar, nos próximos meses, um plano de recuperação que será submetido à análise e aprovação dos credores.
Fundada em 1937, a Estrela se tornou uma das marcas mais conhecidas da indústria brasileira de brinquedos e atravessou gerações com produtos que marcaram época. Entre os itens mais populares lançados pela companhia estão Banco Imobiliário, Autorama, Genius, Falcon, Comandos em Ação, Susi, Ferrorama, Aquaplay e Super Massa.
Ao longo das últimas décadas, a empresa tentou modernizar parte do catálogo e ampliar a presença em segmentos de brinquedos licenciados e colecionáveis. Ainda assim, enfrentou dificuldades para competir com produtos importados e com o crescimento do entretenimento digital.
Atualmente, a companhia mantém escritório em São Paulo e unidades industriais em cidades do interior paulista, além de fábricas em Minas Gerais e Sergipe.
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