PF aponta “mesada” de até R$ 500 mil a Ciro Nogueira
Mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro detalham supostos repasses mensais
Por: Redação
07/05/2026 • 13:07
A Polícia Federal identificou supostos pagamentos mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil destinados ao senador Ciro Nogueira, segundo investigação da quinta fase da Operação Compliance Zero. Os valores, de acordo com a PF, teriam sido coordenados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master.
As apurações tiveram acesso a trocas de mensagens entre Daniel Vorcaro e o primo dele, Felipe Cançado Vorcaro, preso temporariamente nesta quinta-feira (7). Nos diálogos, os investigadores afirmam que os dois discutiam a continuidade dos pagamentos ligados à chamada “parceria BRGD/CNLF”.
Segundo a Polícia Federal, a empresa BRGD S.A., ligada à família Vorcaro, seria a origem dos recursos. Já a CNLF Empreendimentos Imobiliários, associada ao senador e administrada formalmente pelo irmão dele, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, apareceria como destinatária do fluxo financeiro investigado.
Em uma das mensagens obtidas pela PF, Felipe pergunta diretamente sobre a continuidade dos pagamentos:
“Oi Daniel, é para seguir com o pagamento dos 300k para o pessoal que investiu na BRGD?”
Dias depois, em outro trecho destacado pelos investigadores, o diálogo volta a mencionar os valores:
Felipe Vorcaro: “Oi, é para continuar pagando a parceria brgd/cnlf? 300k mes?”
Daniel Vorcaro: “Sim”.
As conversas também indicariam preocupação com atrasos e aumento dos repasses. Em junho de 2025, Daniel teria questionado o primo sobre os pagamentos ligados ao senador:
Daniel Vorcaro: “Cara eu no meio dessa guerra atrasou dois meses ciro?”
Felipe Vorcaro: “Vou ver se dou um jeito aqui.. Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”
De acordo com a PF, os diálogos reforçam suspeitas de vantagens financeiras indevidas dentro do esquema investigado. A operação apura possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades no Sistema Financeiro Nacional.
Além de Ciro Nogueira, o irmão do senador também foi alvo das medidas autorizadas pelo ministro André Mendonça. Raimundo Neto deverá usar tornozeleira eletrônica e ficou proibido de exercer atividades econômicas e financeiras.
Em nota, a defesa de Ciro repudiou a operação e afirmou que o senador não teve participação em atividades ilícitas. Os advogados sustentam ainda que o parlamentar está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
