Mendonça rebate Gilmar e compara esquema do Master a máfia
Ministro do STF defendeu prisões ligadas ao caso Banco Master
Por: Redação
17/06/2026 • 13:22 • Atualizado
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), elevou o tom durante o julgamento que discute a prisão de Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro, pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso que envolve o Banco Master.
Ao iniciar a apresentação de seu voto na Segunda Turma da Corte, Mendonça respondeu diretamente a observações feitas pelo presidente do colegiado, Gilmar Mendes, que havia se posicionado pela revogação das prisões e criticado a condução das investigações.
Logo no início da manifestação, o magistrado rejeitou qualquer semelhança entre o caso e os excessos atribuídos à Operação Lava Jato, argumento levantado por Gilmar durante o julgamento.
O ministro também rebateu críticas sobre uma suposta influência da cobertura jornalística no andamento do processo. “Não ajo por pressões da mídia e não busco a mídia”, afirmou, ao responder às referências feitas pelo colega sobre “espetacularização” e “sensacionalismo”.
Mendonça vê atuação de organização criminosa
Durante o voto, André Mendonça sustentou que as investigações apontam para uma estrutura criminosa mais ampla do que crimes financeiros tradicionais. Segundo ele, os fatos apurados não se resumem a irregularidades praticadas por executivos do mercado financeiro ou agentes ligados ao sistema bancário.
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“Não é simplesmente crime do colarinho branco, é mais que isso. Não são simplesmente atores num gabinete na Faria Lima”, declarou o ministro.
Na sequência, Mendonça afirmou que o caso apresenta características típicas de organizações criminosas estruturadas. “Aqui há contornos de máfia, há contornos de crime organizado mafioso”, disse durante a sessão.
Ministro também rebate críticas sobre vazamentos
Outro ponto abordado pelo relator foi a divulgação de informações sigilosas ao longo das investigações. De acordo com Mendonça, já existem procedimentos paralelos para identificar possíveis responsáveis por vazamentos de dados protegidos por sigilo judicial.
O ministro ressaltou ainda que tem consciência da relevância histórica do julgamento e respondeu às observações feitas por Gilmar Mendes sobre o impacto institucional da decisão.
“Tenho plena consciência de que este voto pode entrar para a história”, afirmou.
Em outro momento, destacou que não se presta a “trabalhos abjetos” e defendeu a legitimidade das medidas adotadas no curso da investigação.
Ao encerrar a manifestação, Mendonça declarou que seria simples interromper a apuração, mas argumentou que seu papel é garantir a continuidade da investigação diante dos elementos reunidos até o momento. “Eu próprio sou o polo mais frágil de todo esse caso”, concluiu.
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