Caso Cão Orelha: MP descarta maus-tratos e pede arquivamento
Perícias levaram o Ministério Público a concluir que o animal já apresentava um quadro grave de saúde
Por: Redação
13/05/2026 • 10:58
O Ministério Público de Santa Catarina pediu o encerramento das investigações sobre a morte do cão conhecido como “Orelha”, caso que ganhou repercussão nacional após suspeitas de maus-tratos na Praia Brava, em Florianópolis. O pedido foi encaminhado à Justiça e divulgado na terça-feira (12).
De acordo com o órgão, as provas reunidas durante a apuração não sustentam a versão de que o animal tenha sido agredido por adolescentes. A conclusão foi baseada em laudos veterinários, análise de imagens de segurança e reconstituição da cronologia dos fatos.
Segundo o MP, houve divergência nos horários registrados pelas câmeras utilizadas na investigação inicial. A perícia identificou uma diferença de cerca de 30 minutos entre os sistemas de monitoramento analisados, o que alterou a interpretação sobre a presença dos envolvidos na praia.
Com a revisão dos horários, os investigadores afirmam que o adolescente apontado no caso e o cachorro não estiveram no mesmo local no momento em que a suposta agressão teria acontecido. As imagens também mostrariam o cão caminhando normalmente algum tempo depois do horário estimado para o possível ataque.
A investigação veterinária apontou ainda que o animal apresentava uma infecção óssea crônica na região da face, além de sinais avançados de problemas dentários. Conforme o laudo pericial, não foram encontradas fraturas ou marcas recentes que indicassem violência física.
O Ministério Público afirmou que o estado de saúde do cachorro já era considerado delicado e que a eutanásia ocorreu em razão do agravamento do quadro clínico.
Outro ponto destacado pelo órgão foi a morte de uma cadela que vivia junto com Orelha. O animal morreu dias depois por doença do carrapato, situação que, segundo os promotores, reforça o cenário de vulnerabilidade sanitária em que os cães estavam inseridos.
Além do arquivamento do caso principal, a Justiça também encerrou uma investigação paralela sobre suposta intimidação ligada ao episódio. O entendimento é de que os acontecimentos registrados em janeiro deste ano envolviam conflitos entre adolescentes e funcionários de um condomínio da região, sem relação direta com a morte do cachorro.
O MP também pediu que a Corregedoria da Polícia Civil avalie possíveis falhas na condução da investigação inicial. Outra solicitação envolve a apuração de eventual vazamento de informações sigilosas relacionadas ao adolescente citado no caso.
As Promotorias informaram ainda que deve ser aberta uma investigação específica para analisar a circulação de conteúdos falsos e possível obtenção de lucro com publicações sobre o episódio nas redes sociais.
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