Remédios para emagrecer exigem mudança de hábitos, diz nutricionista
Daniela Brige detalha uso de medicamentos com alimentação e atividade física
Por: Domynique Fonseca
09/07/2026 • 12:59 • Atualizado
Os medicamentos para emagrecimento representam um avanço importante no tratamento da obesidade, mas não substituem uma alimentação equilibrada nem a prática regular de atividade física. A avaliação é da nutricionista Daniela Brige (@danielabrigenutricionista), especialista em nutrição clínica, esportiva e emagrecimento saudável, durante entrevista concedida nesta quinta-feira (9) ao programa Portal Esfera no Rádio, na Itapoan 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem.
Segundo a especialista, o aumento da procura por hábitos mais saudáveis tem sido percebido no consultório, principalmente entre pessoas que buscam aliar alimentação e exercícios físicos. Ainda assim, ela alerta que muitas ainda enxergam a dieta como uma medida temporária, quando, na verdade, a mudança deve fazer parte da rotina.
"A alimentação saudável é a base de tudo. As pessoas costumam dizer que estão de dieta por um período e depois voltam aos antigos hábitos. O ideal é justamente o contrário: manter uma alimentação equilibrada sempre e fazer ajustes apenas em situações específicas", explicou.
Retomar a rotina após os excessos
Com o fim do período de festas juninas, Daniela orienta que o melhor caminho para quem exagerou na alimentação é abandonar soluções radicais e simplesmente retomar os hábitos habituais.
De acordo com ela, dietas restritivas, jejuns prolongados ou o consumo de chás com promessas de compensar os excessos não trazem resultados consistentes. O mais importante é reorganizar a rotina alimentar e evitar manter em casa alimentos consumidos apenas em ocasiões especiais:
"Depois das festas, a melhor estratégia é voltar ao normal. Não adianta passar uma semana fazendo restrições extremas. Se ainda sobraram comidas típicas, o ideal é finalizar ou compartilhar com outras pessoas, para não prolongar os excessos."
A nutricionista explica ainda que alimentos ricos em açúcar e gordura estimulam o paladar e tornam mais difícil a retomada da alimentação equilibrada.
"Nosso organismo se acostuma com esses alimentos mais palatáveis. Por isso, pode haver uma dificuldade maior para voltar à rotina. O importante é reduzir esses alimentos aos poucos, sem radicalismo, até recuperar o equilíbrio", destacou.
Medicamentos são aliados, mas não servem para qualquer caso
Durante a entrevista, Daniela Brige classificou os medicamentos para emagrecimento como um dos maiores avanços no tratamento da obesidade, desde que utilizados com indicação médica e acompanhamento profissional.
"A medicação foi um grande avanço para quem realmente precisa. Não deve ser desencorajada nesses casos. Mas também não pode ser banalizada como solução para qualquer sobrepeso ou gordura localizada", ressaltou.
Ela observa que a popularização desses medicamentos, impulsionada pela ampliação do acesso e pela redução de preços de algumas substâncias, exige ainda mais responsabilidade na prescrição e no uso.
Além disso, chamou atenção para o aumento das apreensões de produtos ilegais e para o crescimento do mercado clandestino, fatores que, segundo ela, acabam gerando insegurança até mesmo em pacientes que possuem indicação para o tratamento:
"O uso precisa obedecer a critérios. Toda essa circulação de medicamentos ilegais acaba criando medo em quem realmente necessita desse recurso."
Dicas para quem usa medicamentos:
Tratamento pode incentivar mudanças duradouras
Na avaliação da nutricionista, quando associado à reeducação alimentar e à prática de atividade física, o tratamento medicamentoso pode representar uma oportunidade para mudanças permanentes no estilo de vida.
Ela explica que a perda de peso costuma funcionar como incentivo para a adoção de novos hábitos, fortalecendo o compromisso com a saúde.
"Quando a pessoa faz o tratamento da forma correta, ela começa a perceber os resultados, melhora a autoestima e se motiva a continuar. Isso facilita a mudança da alimentação, incentiva a prática de exercícios e ajuda na manutenção do peso conquistado", disse.
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Outro ponto destacado por Daniela Brige foi a adaptação do setor de alimentação às novas demandas dos consumidores. Segundo ela, restaurantes já começam a oferecer porções menores para atender pessoas que utilizam medicamentos para emagrecimento ou que simplesmente passaram a consumir menos alimentos.
Para a nutricionista, a mudança pode contribuir para reduzir desperdícios e estimular escolhas mais compatíveis com uma alimentação equilibrada.
"Ter porções mais adequadas é positivo. Isso evita o consumo exagerado e acompanha um novo comportamento alimentar que tem sido observado entre muitos pacientes."
