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Perícia encontra pé em mochila e Justiça confirma fraude milionária

Servidor foi condenado após tentar receber R$ 1,5 milhão em seguros

Por: Redação

21/06/202610:23Atualizado

A descoberta do pé amputado de um servidor público dentro de uma mochila foi um dos principais elementos que levaram a Justiça a concluir que ele simulou um crime para tentar receber cerca de R$ 1,5 milhão em indenizações de seguros. O caso ocorreu em 2019 e teve decisão definitiva neste ano, após o esgotamento dos recursos.

Foto Perícia encontra pé em mochila e Justiça confirma fraude milionária
Foto: Flickr/Conselho Nacional de Justiça

Vanderley dos Santos Gomes, que atuava no município de Amélia Rodrigues, no Recôncavo baiano, afirmou à polícia ter sido vítima de um assalto seguido de sequestro. Segundo sua versão, ele teria sido abordado por homens armados, agredido, roubado e levado para uma estrada de terra, onde os criminosos teriam amputado um de seus pés.

No entanto, durante as investigações, a perícia encontrou uma mochila a cerca de 350 metros do local onde ele foi socorrido, na zona rural de São Gonçalo dos Campos. Dentro da bolsa estavam o pé amputado e objetos que Vanderley alegava terem sido levados pelos supostos assaltantes, como celular e relógio.

A presença dos pertences no local chamou a atenção dos investigadores e passou a ser considerada incompatível com o relato apresentado pelo servidor. A partir daí, outras inconsistências foram apontadas ao longo da apuração.

De acordo com a decisão judicial, a hipótese de que criminosos teriam amputado o membro sem pedir resgate ou demonstrar outro tipo de motivação foi considerada improvável. Os magistrados também destacaram contradições e falhas de memória do acusado ao descrever detalhes centrais da suposta ação criminosa, incluindo o instrumento que teria sido utilizado na amputação.

Outro ponto levado em consideração foi a contratação de quatro apólices de seguro de vida poucas semanas antes do episódio. Para a Justiça, a sequência dos acontecimentos indicava planejamento prévio com objetivo de obter vantagem financeira por meio das indenizações.

Com base nas provas reunidas durante o processo, a Vara de Execuções Penais de São Gonçalo dos Campos concluiu que o servidor arquitetou a fraude e apresentou uma versão falsa dos fatos para acionar as seguradoras.

 Reprodução/Relatório de sindicância da consultoria de seguros

Reprodução/Relatório de sindicância da consultoria de seguros


Vanderley foi condenado por estelionato a dois anos de reclusão, pena posteriormente convertida em 720 horas de prestação de serviços à comunidade e ao pagamento de prestação pecuniária no valor de R$ 7.590. Após tentativas sem sucesso de reverter a condenação em instâncias superiores, o processo transitou em julgado e o cumprimento da pena teve início em maio deste ano.

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Em nota, o advogado Adriano Scattini, representante das seguradoras envolvidas no caso, afirmou que a multiplicidade de contratos firmados pelo servidor foi um dos primeiros indícios observados durante a análise dos pedidos de indenização. Segundo ele, perícias médicas também apontaram que a amputação não apresentava características compatíveis com um ato de violência praticado durante um assalto.