TCM suspende cachês superfaturados no São João de Itaberaba
Natanzinho Lima iria receber R$ 850 mil
Por: Redação
20/06/2026 • 18:40
Por determinação do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA), que atendeu a um pedido do Ministério Público estadual (MPBA), a Prefeitura de Itaberaba terá de suspender o pagamento de cachês artísticos para o "Arraiá de ITA". O principal alvo das suspeitas é o contrato do cantor de arrocha e piseiro Natanzinho Lima, cujo cachê foi fixado em R$ 850 mil para o São João deste ano.
A medida cautelar do TCM foi motivada por indícios de superfaturamento nos contratos celebrados pela gestão do prefeito João Filho (PSD), que planejava gastar R$ 3,92 milhões com apenas cinco atrações, apresentando reajustes abusivos e muito acima da inflação na comparação com 2025.
No caso de Natanzinho Lima, por exemplo, o cachê teve um aumento de 33,48% em relação à média de R$ 610 mil cobrada pelo artista em 2025, segundo o "A Tarde". O índice ignora a Nota Técnica Conjunta de 2026, que limita o reajuste dos contratos juninos à variação da inflação (4,39%).
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Outros alvos
Além do artista, também estão sob investigação os pagamentos previstos para Rey Vaqueiro (R$ 500 mil), Vitor Fernandes (R$ 300 mil), Eric Land (R$ 280 mil) e Xinela de Couro (R$ 90 mil).
No contexto que cerca o caso, a decisão do tribunal põe em evidência o severo descompasso entre as despesas milionárias com os cinco dias de festa e a crise fiscal enfrentada por Itaberaba.
Isto porque, atualmente, o município acumula uma dívida que supera R$ 27 milhões junto à Receita Federal e encerrou o primeiro quadrimestre de 2026 com mais de R$ 6,7 milhões em despesas liquidadas e não pagas, cenário que ameaça a manutenção de serviços essenciais de saúde e educação.
Com a liminar, a prefeitura fica obrigada a reduzir os repasses ao teto corrigido pela inflação, enquanto o prefeito e as produtoras dos artistas têm 20 dias para apresentar defesa.
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