“Transporte é um problema sem solução isolada”, afirma Muniz
Presidente da Câmara aponta custos, impostos e divisão do sistema como entraves
Por: Domynique Fonseca
05/05/2026 • 14:20 • Atualizado
O presidente da Câmara Municipal de Salvador, vereador Carlos Muniz (PSDB), afirmou que os problemas do transporte público na capital baiana não podem ser resolvidos apenas pela prefeitura. A declaração foi feita nesta terça-feira (5), durante entrevista ao programa Portal Esfera no Rádio, na 97,5 FM, e apresentado por Luis Ganem.
“Prefeito nenhum vai resolver sozinho. Qualquer um que vier, nunca vai resolver sozinho”, disse o parlamentar ao comentar os desafios do sistema.
Muniz explicou que o valor da passagem cobrada atualmente está abaixo do custo real da operação. Segundo ele, a tarifa poderia chegar a cerca de R$ 7,10, mas é mantida em R$ 6 com apoio financeiro do município:
“Existe uma diferença entre o que era para ser cobrado e o que é cobrado. Alguém tem que pagar essa conta, e hoje quem paga é a Prefeitura com dinheiro do povo."
O vereador também destacou que, sem esse suporte, o impacto para os usuários seria maior.
“Quando você aumenta a passagem, você aumenta o número de pessoas que deixam de usar o sistema”, disse.
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Impostos e impacto no preço
Durante a entrevista, o presidente criticou a incidência de impostos estaduais sobre o transporte público, como o ICMS sobre combustíveis e peças.
“O Estado cobra ICMS do combustível, das peças e até da compra dos ônibus. Se isso deixasse de existir, a passagem poderia cair”, afirmou. Segundo ele, a redução poderia chegar a cerca de R$ 0,40 no valor da tarifa.
Outro ponto abordado foi a divisão da receita entre ônibus e metrô. De acordo com ele, o modelo atual concentra a maior parte dos recursos no sistema metroviário:
“Hoje o ônibus fica com uma parte menor da passagem, enquanto a maior fatia vai para o metrô."
Precariedade dos usuários
O presidente da Câmara reconheceu que o transporte público enfrenta problemas e criticou a situação vivida pelos usuários.
“Eu pergunto a qualquer pessoa se teria coragem de colocar a própria mãe em um ponto de ônibus no horário de pico. Eu não teria”, afirmou.
Para Muniz, a solução passa pela atuação conjunta entre município, estado e governo federal:
“Todas as esferas têm que participar. A prefeitura sozinha não tem condições de dar o transporte que a população precisa."
