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Usuários criticam aumento da passagem e apontam falta de qualidade nos ônibus

Passageiros reclamam de tarifas altas, veículos sucateados e ausência de conforto no transporte público

Por: Marcos Flávio Nascimento

05/01/202611:16Atualizado

O recente aumento da passagem de ônibus em Salvador tem gerado forte insatisfação entre usuários do transporte público, que questionam a legitimidade do reajuste diante da qualidade do serviço oferecido. O  Portal Esfera foi às ruas da capital baiana, passageiros relataram dificuldades diárias, falta de conforto e sensação de desrespeito.

Foto Usuários criticam aumento da passagem e apontam falta de qualidade nos ônibus
Foto: Marcos Flávio / Portal Esfera

Para a soteropolitana Patrícia Mendonça, que depende de mais de um coletivo para se deslocar, o reajuste pesa diretamente no bolso de quem trabalha. “Eu acho isso um absurdo. As pessoas que precisam pegar três, quatro ônibus acabam sendo muito prejudicadas. Aumenta tudo, mas a gente não vê melhora na qualidade”, afirmou.

Segundo Patrícia, além do valor da tarifa, a estrutura dos veículos também é um problema recorrente.  “Às vezes é uma humilhação. Cadeiras quebradas, ônibus velhos, tudo esculhambado. Falta ar-condicionado, falta organização. Precisava melhorar tudo”, disse, ao destacar que o serviço não acompanha o preço cobrado.

A aposentada Vera Lúcia também classificou o aumento como excessivo e injusto. “Já extrapolou todos os limites. Cada dia fica mais difícil usar o transporte coletivo. É uma cobrança exorbitante para o que é oferecido”, reclamou.

Ela ainda apontou que mudanças no sistema, como intervenções ligadas ao BRT, têm afetado diretamente a rotina dos passageiros.

“Algumas linhas deixaram de rodar e isso dificulta muito o nosso vai e vem. O valor não é justo e o serviço deveria melhorar”, avaliou.

Falta de conforto agrava situação no verão

Com a chegada do verão em Salvador, o desconforto tende a aumentar. Vera Lúcia destacou que nem todos os ônibus contam com ar-condicionado, o que torna as viagens ainda mais difíceis em dias de calor intenso.

“Com a alta temperatura, fica muito complicado pagar mais caro sem ter o mínimo de conforto dentro do ônibus”, pontuou.

As reclamações se repetem entre usuários que cobram respeito ao consumidor, investimentos na frota e melhorias efetivas antes de novos reajustes. Para quem depende diariamente do transporte público, o sentimento é de que o preço sobe, mas os problemas permanecem.

Histórico do aumento no transporte público

Durante entrevista coletiva no Festival Virada Salvador, o prefeito Bruno Reis (União Brasil) confirmou que a tarifa do transporte público deverá sofrer novo reajuste a partir de 2026, conforme previsto no contrato de concessão do sistema.

Segundo o gestor, a Câmara Municipal aprovou um subsídio que garante a manutenção do valor da passagem ao longo de 2025. No entanto, o contrato estabelece uma atualização obrigatória baseada em uma fórmula paramétrica, que considera indicadores como o IPCA e os custos operacionais, a exemplo do diesel.

Antes a tarifa paga pelo usuário era de R$ 5,60, enquanto a chamada tarifa técnica, que cobre integralmente os custos do sistema, é de R$ 6,19. A diferença de R$ 0,59 por passageiro é subsidiada pela Prefeitura, o que representa um impacto significativo, considerando uma média mensal de cerca de 14 milhões de passageiros transportados.

Com o reajuste em vigor desde 5 de janeiro de 2025, quando a passagem saiu de R$ 5,20 para R$ 5,90, Salvador passou a ocupar a quinta posição entre as capitais com as tarifas de ônibus mais caras do Brasil. O aumento de 7,69% colocou a capital baiana atrás apenas de Florianópolis, Porto Velho, Curitiba e Belo Horizonte.

Desde o início da gestão Bruno Reis, os reajustes sucessivos consolidaram Salvador como a capital com a passagem mais cara do Nordeste, ampliando o debate sobre subsídios públicos, qualidade do serviço e o retorno efetivo para os usuários. Enquanto o discurso oficial associa os aumentos à recomposição de custos, passageiros seguem relatando que a experiência no transporte coletivo não evoluiu na mesma proporção, especialmente nos períodos de maior calor e demanda.