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“Não se pode cobrar sem ouvir a população”, diz Muniz sobre Kiss & Fly

Presidente da Câmara critica taxa no aeroporto e defende votação de projeto que proíbe cobrança

Por: Domynique Fonseca

05/05/202612:52Atualizado

A cobrança pelo uso das áreas de embarque e desembarque no Aeroporto Internacional de Salvador voltou ao centro do debate público e político. Em entrevista ao programa Portal Esfera no Rádio, na 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem, nesta terça-feira (5), o presidente da Câmara Municipal, vereador Carlos Muniz (PSDB), criticou a implantação do sistema conhecido como Kiss & Fly e classificou a medida como abusiva.

Foto “Não se pode cobrar sem ouvir a população”, diz Muniz sobre Kiss & Fly
Foto: Lorena Bomfim/ Portal Esfera

“Qualquer cobrança que não seja debatida antes é abusiva”, afirmou o parlamentar, ao questionar a forma como a taxa foi implementada pela concessionária responsável pelo terminal.

Muniz é autor do Projeto de Lei nº 108/2026, que propõe proibir a cobrança pelo acesso a áreas de embarque e desembarque em Salvador. A matéria deve ser analisada pelo Legislativo no próximo dia 13, após acordo entre os vereadores que adiou a votação de propostas de autoria parlamentar.

O sistema Kiss & Fly começou a ser testado no início do mês pela concessionária Vinci, estabelecendo a cobrança de R$ 18 para veículos que permaneçam por mais de 10 minutos nas áreas de embarque e desembarque.

Para o presidente da Câmara, o tempo estipulado é insuficiente e desconsidera situações específicas, como o embarque de pessoas com mobilidade reduzida.

“Em 10 minutos, muitas vezes não é possível sequer deixar um cadeirante com segurança”, pontuou.

Ele também afirmou que a medida não passou por discussão com a população nem com setores impactados, como motoristas de aplicativo e o segmento de turismo.

“Não houve audiência pública, não houve escuta. A população não foi ouvida”, declarou.

Marcos Flávio Nascimento/Portal Esfera

Marcos Flávio Nascimento/Portal Esfera


Durante a entrevista, Muniz levantou dúvidas sobre a legalidade da cobrança fora da área diretamente concedida à empresa. Segundo ele, existem trechos que podem ser de responsabilidade do município, o que, na sua avaliação, impediria a instalação de estruturas de controle.

O vereador também disse ter buscado informações junto à Transalvador sobre a autorização do sistema.

“Fui informado de que nem todas as exigências foram cumpridas”, afirmou.

Outro ponto destacado por Muniz foi o impacto econômico da medida sobre trabalhadores que dependem do transporte de passageiros, como motoristas de aplicativo e condutores de transporte coletivo.

Na avaliação do parlamentar, a cobrança pode dificultar o trabalho dessas categorias e afetar diretamente a renda de quem atua no setor.

“Não podemos permitir que trabalhadores sejam prejudicados sem discussão prévia”, disse.

A proposta que trata da proibição da cobrança deve ser votada na próxima semana. Até lá, o tema segue sob análise de órgãos reguladores e do Ministério Público da Bahia.

O debate sobre o Kiss & Fly tem gerado repercussão entre usuários do aeroporto e representantes de diferentes setores na capital baiana.