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Advogado revela terror vivido em ‘tribunal do crime’ do PCC

Profissional ficou seis horas em cárcere e relatou ter sofrido tortura psicológica

Por: Redação

17/08/202617:00

O advogado criminalista Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, relatou ter sido sequestrado e levado a um “tribunal do crime” em Cubatão, no litoral de São Paulo, após ajuizar uma ação contra uma empresa que seria de interesse de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Mantido em cárcere por cerca de seis horas, o profissional afirmou ter sofrido tortura psicológica e procurou o Ministério Público para denunciar o caso.

Foto Advogado revela terror vivido em ‘tribunal do crime’ do PCC
Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Durante o cativeiro, Rafaell contou que ligou para um cliente apontado como integrante do PCC e pediu ajuda. Segundo ele, José Armerindo Santos de Carvalho, conhecido como Boqueta, foi até o local, mas se recusou a interceder pela sua libertação. Dias depois do sequestro, o advogado rompeu o contrato e deixou a defesa do homem, que morreu na quarta-feira (12), baleado em um confronto com a Polícia Militar durante uma operação relacionada ao caso.

Rafaell afirmou que foi atraído para uma comunidade após receber contato de William Nascimento Boaventura, que teria solicitado serviços jurídicos. No local, percebeu que se tratava de um “tribunal do crime”, com cerca de 30 pessoas, algumas por videochamada. “Eu só tive certeza quando eu cheguei no barraco e eu vi que era um tribunal do crime”, relatou. O advogado disse ainda que o episódio afetou sua saúde mental: “Eu fiquei quinze dias sem dormir. Eu tenho medo, pânico às vezes”.

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A investigação do sequestro está sob responsabilidade do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Rafaell decidiu tornar o caso público mesmo temendo represálias. “Enquanto a gente não abre a boca, os ratos estão fazendo a festa”, afirmou. As defesas de William e de outro suspeito citado pelo advogado foram procuradas, mas não houve retorno até a última atualização.