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O trauma das Forças Armadas

Condenações por atos de 2022 repercutem em imagem da outrora instituição mais admirada do País

05/03/202612:59

Ao querido amigo e grande brasileiro Alm. Almir Garnier

Foto O trauma das Forças Armadas
Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

Não é segredo para ninguém o inconformismo dominante ou irresignação de nossas Forças Armadas decorrente da condenação de alguns oficiais generais, entre outros, pelo crime de tentativa de golpe de estado, no processo sucessório do Presidente Bolsonaro, quando, à luz da mais elementar exegese jurídica, o que ocorreu foi uma patriótica especulação sobre o que fazer para evitar o retorno da ladroagem contumaz liderada pelo candidato considerado eleito nas eleições de 2022, anos antes condenado e preso no processo mais assoalhado ao acompanhamento popular na história penal de todos os povos em todos os tempos.

Para infortúnio, porém, do Presidente Bolsonaro, caracterizado, também, por inédita incontinência verbal, e alguns dos seus mais próximos colaboradores, o ministro da Suprema Corte Alexandre de Morais, auto indicado julgador, promotor e líder testemunhal da acusação, ao arrepio da Constituição que jurou defender, revelou-se portador, também, além de notório saber jurídico, de espírito odiento e vingativo que o eleva às alturas de Nêmesis e de Ares, na mitologia grega, bem como de Xandoré, o Deus da vingança, de nossa mitologia tupiniquim. Entre indignados, boquiabertos e acovardados os brasileiros acompanharam os excessos do soba togado que chicoteava, à guisa de cólera santa, nossas ainda instáveis instituições, erguendo-se, na exibição de seu incontrastável poder, como um Deus alopécico, vindo para moralizar o povaréu, a patuleia ignara desta ainda República de Bananas chamada Brasil.

E foi o que se viu, a começar pela condenação estúpida e covarde de centenas de patriotas que, diante do desespero de ver legitimado o retorno ao poder de assaltantes do Erário, com o respaldo da maioria dos membros de nosso STF, excederam-se em seus protestos, destruindo patrimônio público, pelo que, merecidamente, deveriam ser punidos, como manda a lei. Daí, porém, a elevar a infração ao condenável tipo de tentativa de Golpe de Estado, medeia uma distância de irrazoabilidade abissal, já expressa no jargão popular que condena a atribuição de pena de morte a ladrão de galinha. Homens e mulheres, idosos uns, outros simples oficiais de ofícios modestos para o atendimento das demandas mais elementares da vida, às centenas foram condenados a longas penas de reclusão, excessos simbolizados na condenação da operadora de salão de beleza que escreveu no mármore da estátua de Themis, a Deusa da Justiça, “Perdeu Mané”, aludindo à mesma e infeliz frase com que o Ministro Luiz Barroso respondeu em Nova Iorque aos brasileiros irresignados com a discutida eleição de Lula da Silva para o seu terceiro mandato, garantido pela maioria de suas excelências, com o Executivo amancebadas. A mão do destino, porém, pela conhecida Lei do Retorno, veio a revelar que os Ministros Alexandre de Morais e Dias Toffoli estão atolados até as fuças no rol de crimes que resultaram na liquidação do Banco Master.

O atual momento político, inexoravelmente, conducente a uma anistia geral e irrestrita a todos os condenados pela sanha odienta e vingativa de Alexandre de Morais, está produzindo uma aura de alívio entre os membros das Forças Armadas, irresignados com a perda vertical do seu histórico prestígio como a instituição mais admirada do País, pela bravura do seu histórico papel como agente moralizador da Pátria e garantidor da ordem social e de nossa integridade territorial.  

Explica-se porque excelentes composições musicais passaram a circular, celeremente, nas redes sociais, criticando o que teria sido uma tolerância excessiva com a vigarice política predominante entre lideranças das nossas FFAA, ao tempo em que anunciam o raiar de uma iminente e redentora aurora, com a estrondosa derrota do atual conjunto de forças que tanto tem infelicitado a Nação. 

Reflexo desse panorama novo é o crescendo das especulações sobre a provável desistência de Lula, para fugir ao encerramento, com uma acachapante derrota, de sua rocambolesca biografia política.

Joaci Góes

Joaci Goés é advogado, jornalista e empresário, além de ter sido deputado federal pela Bahia entre 87 e 91. Também ocupa o cargo de diretor da Associação Comercial da Bahia e sócio do Instituto Genealógico da Bahia.