Presidente da AGT critica Kiss & Fly e diz que aeroporto vive "colapso"
Denis Paim afirma que modelo prejudica passageiros, taxistas e a mobilidade no terminal
Por: Domynique Fonseca
16/07/2026 • 11:04 • Atualizado
A cobrança de R$ 18 para motoristas que permanecerem mais de 10 minutos na área de embarque e desembarque do Aeroporto Internacional de Salvador, conhecida como Kiss & Fly, continua sendo alvo de críticas. Em entrevista exclusiva ao Portal Esfera, nesta quinta-feira (16), o presidente da Associação Geral dos Taxistas (AGT), Denis Paim, afirmou que o modelo tem provocado problemas de mobilidade e pode penalizar passageiros e profissionais que utilizam o terminal.
Segundo Denis Paim, a categoria segue apreensiva com a situação vivida no aeroporto. Além da possibilidade de cobrança, ele afirma que os taxistas ainda enfrentam incertezas sobre a permanência da praça destinada aos veículos da categoria.
"Os taxistas continuam sofrendo pressão no aeroporto, com a ameaça de tirar a praça de táxi que nós lutamos para manter. Essa ameaça continua", declarou.
Outro problema apontado pelo presidente da AGT é a mobilidade no entorno do terminal. De acordo com ele, falhas frequentes nas cancelas têm provocado congestionamentos e aumentado o tempo de permanência dos veículos.
"A mobilidade está péssima. As cancelas vivem apresentando defeitos e isso acaba causando filas. Fiz um teste no aeroporto e fiquei quase 17 ou 18 minutos porque um passageiro estava com dificuldade para acessar a internet. Se a cobrança já estivesse valendo, eu pagaria R$ 18 em uma corrida de R$ 40. É uma disparidade muito grande", afirmou.
Para Paim, o tempo limite de dez minutos não leva em consideração situações enfrentadas diariamente pelos usuários do aeroporto.
"Tem passageiros que utilizam cadeira de rodas, pessoas com dificuldade de locomoção e famílias que precisam de mais tempo para embarcar e desembarcar. Além disso, muitas vezes a internet não funciona bem na área de desembarque, e hoje praticamente tudo depende do celular", disse.
O representante da categoria também afirmou que os congestionamentos têm levado passageiros a anteciparem a saída de casa por receio de perder o voo.
"No período do São João, muita gente passou a sair até 40 minutos antes do horário que sairia normalmente. Algumas pessoas perderam o voo. Eu mesmo levei passageiros que tiveram que voltar para casa porque não conseguiram embarcar. O problema não é o atraso das pessoas, é o colapso causado no acesso ao aeroporto", relatou.
Lorena Bomfim/ Portal Esfera
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Ainda segundo Denis Paim, a fiscalização no local seria desigual. Ele afirma que taxistas são autuados enquanto outros veículos permanecem em locais proibidos sem sofrer penalidades.
"Tem carros clandestinos, vans e até veículos oficiais parando em qualquer lugar. Enquanto isso, os taxistas são multados. Falta organização no trânsito e isso acaba prejudicando quem trabalha de forma regular. O aeroporto está uma bagunça", criticou.
Sobre a tramitação do projeto de Lei nº 108/2026, que trata do Kiss & Fly, o presidente da AGT acredita que a votação dificilmente ocorrerá antes das eleições.
"Conhecendo o funcionamento do Legislativo, acredito que ninguém vai querer mexer nesse assunto agora. Tem interesses políticos e financeiros envolvidos. Acho que essa discussão deve ficar para depois das eleições", afirmou.
Enquanto o projeto aguarda análise na Câmara Municipal, a discussão sobre o Kiss & Fly continua mobilizando taxistas, passageiros e demais usuários do Aeroporto Internacional de Salvador.
"Espero que os poderes públicos acordem e não lembrem da população apenas na época da eleição. As pessoas precisam ser tratadas com respeito também quando enfrentam problemas como esse", concluiu.
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