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Aeroporto de Salvador pode iniciar cobrança do Kiss & Fly nesta semana

Período de testes termina e sistema segue cercado por críticas e investigação

Por: Marcos Flávio Nascimento

31/05/202612:41Atualizado

A partir desta segunda (1º), o sistema Kiss & Fly implantado no Aeroporto Internacional de Salvador pela Vinci Airports, que vive turbulência interna envolvendo o CEO da operação no Brasil, entra em uma nova fase e pode começar a gerar cobrança efetiva para motoristas que utilizarem as áreas de embarque e desembarque do terminal.

Foto Aeroporto de Salvador pode iniciar cobrança do Kiss & Fly nesta semana
Foto: Marcos Flávio / Portal Esfera

O modelo foi apresentado como um período de testes ao longo do mês de maio, mas provocou uma série de reações contrárias de taxistas, entidades civis, políticos e usuários do aeroporto.

Pelas regras divulgadas pela concessionária, veículos que permanecerem por mais de 10 minutos nas áreas destinadas ao embarque e desembarque poderão ser tarifados em R$ 18. A medida tem como justificativa a melhoria da fluidez do trânsito no entorno do terminal, mas acabou desencadeando uma onda de questionamentos e de ações do poder público sobre seus impactos na mobilidade e no acesso ao equipamento.

Desde que o sistema começou a operar em caráter experimental, o tema passou a dominar o debate público em Salvador. Trabalhadores do setor de transporte afirmam que a cobrança afeta diretamente a rotina de quem depende do aeroporto para exercer suas atividades profissionais.

Entre os grupos mais mobilizados estão os taxistas, que vêm denunciando dificuldades para realizar embarques e desembarques de passageiros dentro do tempo estipulado pela concessionária. Segundo representantes da categoria, a dinâmica do transporte aeroportuário envolve situações que frequentemente ultrapassam os dez minutos permitidos.

Taxistas lideram reação ao sistema

Nos últimos meses, a Associação Geral dos Taxistas (AGT) tem sido uma das principais vozes contra o modelo adotado pela Vinci. O presidente da entidade, Denis Paim, argumenta que a cobrança ignora a realidade operacional do serviço.

Segundo ele, passageiros muitas vezes precisam organizar bagagens, concluir pagamentos, localizar familiares ou resolver imprevistos antes de deixar o terminal, o que torna inviável uma permanência tão curta.

A tensão ganhou novos capítulos neste fim de semana. Na madrugada de sábado (30), uma tentativa de retirada da placa que identifica o ponto de táxi comum do aeroporto gerou confusão entre trabalhadores e taxistas. A sinalização havia sido instalada recentemente pela Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) após reivindicação da categoria.

Após a repercussão do caso, a Semob informou que irá consultar a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para obter esclarecimentos sobre a organização das áreas de embarque e desembarque dentro do terminal, que opera sob concessão federal.

Críticas chegaram à política e ao Ministério Público

A discussão em torno do Kiss & Fly também ultrapassou o setor de transporte. Em entrevista ao Portal Esfera no Rádio, o vereador Carlos Muniz classificou a medida como abusiva e criticou a ausência de diálogo com a população antes da implantação do sistema.

O projeto também recebeu críticas da Associação Baiana de Deficientes Físicos (ABADEF). Para a entidade, a cobrança pode criar obstáculos adicionais para pessoas com deficiência, idosos e passageiros que demandam mais tempo para embarcar ou desembarcar.

Outro desdobramento importante ocorreu na esfera jurídica. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) abriu um procedimento para investigar possíveis irregularidades relacionadas ao modelo adotado pela concessionária responsável pelo aeroporto.

Enquanto isso, a Vinci mantém o posicionamento de que o sistema busca organizar o fluxo de veículos e reduzir congestionamentos nas áreas de acesso ao terminal.

O que muda a partir de agora

Embora a concessionária ainda não tenha anunciado oficialmente eventuais alterações nas regras, o encerramento do período experimental coloca os usuários em alerta para o início das cobranças integrais.

Quem utiliza o aeroporto com frequência, seja para deixar passageiros, buscar familiares ou trabalhar no terminal, deverá acompanhar os próximos comunicados da administração aeroportuária e dos órgãos públicos envolvidos na discussão.