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Kiss & Fly: Após pressão pública, Vinci busca reunião com vereadores

Alvo de críticas e na mira do poder público, concessionária tenta acordo para implantar sistema

Por: Redação

28/05/202617:11

A onda de críticas internas e externas, que tem levantado especulações sobre a demissão do CEO da Vinci Airports Brazil, Júlio Ribas, fez o braço brasileiro da concessionária francesa, responsável pela administração do Aeroporto de Salvador e pela tentativa de implantação do polêmico sistema Kiss & Fly, mudar a abordagem.

Foto Kiss & Fly: Após pressão pública, Vinci busca reunião com vereadores
Foto: Divulgação / Vinci Airports

Após apostar no enfrentamento ao poder público e à população soteropolitana, ao tentar implementar cobranças nas áreas de embarque e desembarque do terminal sem investir no diálogo, a empresa passou a buscar interlocução com vereadores da Câmara Municipal de Salvador em busca de um acordo que permita a efetivação do sistema.

A movimentação da concessionária ocorre em meio ao avanço de projetos de lei apresentados pelo presidente da Casa, Carlos Muniz (PSDB), e pelo vereador Daniel Alves (PSDB), que propõem proibir a cobrança de taxas e a instalação de cancelas em áreas públicas destinadas ao embarque e desembarque de passageiros na capital baiana, o que inviabilizaria a operação do modelo.

A recente tentativa de aproximação veio após sucessivos desgastes provocados pela condução do caso por parte de Ribas. Entre os episódios que ampliaram a crise está a declaração em que o executivo classificou Carlos Muniz como “oportunista” após o vereador apresentar seu projeto sobre o tema e cobrar o debate público para "qualquer decisão que afete a população de Salvador", o que agravou o clima nos bastidores da Câmara.

Ribas, inclusive, estaria passando por um processo de avaliação interna dentro da multinacional francesa, conforme revelou a coluna O Carrasco, do jornal A TARDE, e confirmou o Portal Esfera. Interlocutores da empresa avaliam que faltou habilidade política e capacidade de construir relações institucionais em Salvador, deixando a concessionária isolada diante da pressão exercida pelo Legislativo e pela opinião pública.

Fontes do Portal Esfera confirmaram o convite para uma reunião que ocorrerá dentro do aeroporto nesta sexta-feira, às 14h. A expectativa é de que a Vinci Airports apresente um novo planejamento para o sistema, incluindo a ampliação do tempo de tolerância gratuita do Kiss & Fly, passando dos atuais 10 para 30 minutos.

Kiss & Fly: 'Medida abusiva'

O sistema Kiss & Fly começou a ser testado no início do mês pela concessionária Vinci, estabelecendo a cobrança de R$ 18 para veículos que permaneçam por mais de 10 minutos nas áreas de embarque e desembarque.

Em conversa recente com o Portal Esfera no Rádio, apresentado por Luís Ganem, Muniz afirmou que a medida era abusiva e condenou a ausência de debate popular sobre o assunto.

"Não houve audiência pública, não houve escuta. A população não foi ouvida. Não podemos permitir que trabalhadores sejam prejudicados sem discussão prévia”, declarou.

O projeto de cobrança já foi alvo de críticas de diversas entidades políticas e sociais e tem estado na pauta dos últimos meses. A presidente da Associação Baiana de Deficientes Físicos (ABADEF), Silvanete Brandão, apontou que o sistema cria barreiras no acesso e na mobilidade dentro do terminal.

As críticas vieram também da Associação Geral dos Taxistas (AGT), após o presidente Denis Paim apontar impactos diretos na rotina da categoria e cobrar mais clareza sobre a implementação do modelo.

“Como é que nós vamos desembarcar um passageiro com 10 minutos? O passageiro quer conforto, não quer pressa. Muitas vezes precisa organizar bagagem, finalizar pagamento ou até resolver algum imprevisto”, disse.

O projeto também está sob os olhares do Ministério Público da Bahia, que abriu inquérito para investigar supostas irregularidades envolvendo a Vinci Airports, concessionária responsável pela administração do Aeroporto de Salvador.