"Falta de informação limita acesso a leis de proteção", afirma advogada
Camila Batista destaca obstáculo no combate à violência contra a mulher
Por: Marcos Flávio Nascimento
17/03/2026 • 15:20 • Atualizado
O desconhecimento sobre as próprias garantias legais ainda é um dos maiores obstáculos no combate à violência contra a mulher no Brasil. A avaliação é da advogada e especialista na área, Camila Batista, que destacou a importância da informação como ferramenta de proteção durante entrevista ao apresentador Luis Ganem do Portal Esfera no Rádio, transmitido na Rádio Itapoan FM (97,5), nesta terça-feira (17).
Apesar de leis consolidadas, como a Lei Maria da Penha, grande parte da população ainda não compreende o que, de fato, está previsto na legislação. Segundo a especialista, o problema vai além da existência das normas e passa pela forma como elas chegam até a sociedade.
“A nossa legislação é pouco consumida pela sociedade. As pessoas não conhecem seus direitos”, afirmou.
Nesse cenário, a dificuldade de comunicação também se torna um fator determinante. A linguagem jurídica, muitas vezes distante da realidade da população, acaba dificultando o entendimento e o acesso às garantias previstas em lei.
“A gente tem uma linguagem extremamente jurídica, que não consegue dialogar com a maioria da sociedade”, explicou.
Lei Maria da Penha
Outro ponto destacado é que a Lei Maria da Penha, embora amplamente conhecida, ainda é compreendida de forma superficial. Muitas pessoas associam a norma apenas à punição de agressores, sem entender o conjunto de direitos e mecanismos de proteção disponíveis para as vítimas.
A advogada reforça que a legislação brasileira evoluiu nos últimos anos, com a criação de novas normas voltadas ao enfrentamento da violência, como a Lei do Feminicídio, a Lei do Minuto Seguinte e a Lei de Importunação Sexual. Ainda assim, o desafio continua sendo garantir que essas informações cheguem de forma clara à população.
“Menos de 20% das pessoas sabem o que significa a Lei Maria da Penha de fato”, destacou.
Além das leis, a estrutura de atendimento também tem papel fundamental. Equipamentos públicos como delegacias especializadas, casas de acolhimento e núcleos da Defensoria Pública fazem parte da rede de proteção, mas ainda enfrentam desafios de acesso e conhecimento por parte das vítimas.
Medida protetiva como aliada no combate à violência
Um dos instrumentos mais importantes, segundo a especialista, é a medida protetiva, que pode ser decisiva para salvar vidas. Dados recentes mostram que milhares de mulheres conseguem esse tipo de proteção todos os anos, reduzindo significativamente os riscos de feminicídio: “A medida protetiva salva a vida das mulheres."
Mesmo com avanços, os números ainda preocupam. Casos de feminicídio no Brasil seguem em patamares elevados, o que reforça a necessidade de ampliar ações de prevenção, campanhas educativas e o papel da sociedade no enfrentamento à violência.
Para a especialista, a mídia tem papel estratégico nesse processo, ajudando a levar informação de forma acessível e contribuindo para que mais mulheres reconheçam situações de risco e busquem ajuda.
“A mídia tem o poder de dialogar todos os dias com a sociedade e levar esse conhecimento para as famílias”, concluiu.
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