Bahia se destaca em ações de combate à violência contra a mulher
Estado amplia políticas públicas e é referência nacional com o projeto “Oxe, Me Respeite nas Escolas”
Por: Redação
10/10/2025 • 18:00
Durante participação no programa Portal Esfera no Rádio, da Itapoan FM (97,5), nesta sexta-feira (10), a advogada Camila Batista, superintendente de Prevenção e Enfrentamento à Violência contra a Mulher da Bahia, destacou os avanços das políticas públicas estaduais e federais voltadas à proteção das mulheres.
Segundo Camila, a Bahia tem se tornado referência nacional em programas de prevenção e enfrentamento à violência, com ações que vão desde o acolhimento das vítimas até a educação de base. Entre as principais iniciativas, ela destacou a campanha “Feminicídio Zero”, criada pelo governo federal, por meio do Ministério das Mulheres, com o objetivo de erradicar o feminicídio em todo o país.
“Enquanto uma mulher for vítima de feminicídio, todas nós estamos em estado de vulnerabilidade. A campanha Feminicídio Zero traz os estados para dentro de um pacto nacional de enfrentamento à violência”, afirmou.
A Bahia aderiu ao Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência e Prevenção aos Feminicídios, assinado recentemente pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), durante a Conferência Estadual de Políticas para as Mulheres considerada a maior do país, com a participação de mais de 1.600 mulheres e 127 conferências municipais.
Projeto baiano vira referência internacional
Entre os programas mais bem-sucedidos do estado está o “Oxe, Me Respeite nas Escolas”, premiado nacionalmente pelo Ministério das Mulheres e desenvolvido em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).
O projeto atua na prevenção da violência de gênero em escolas públicas e já alcançou 300 unidades de ensino em 150 municípios, promovendo rodas de conversa, oficinas e formação para estudantes e professores. A iniciativa despertou o interesse internacional, recebendo visitas de representantes dos Estados Unidos, Colômbia e México, que pretendem replicar a experiência em seus países.
Camila relatou histórias que evidenciam o impacto do programa, como a de um menino de 12 anos que, após participar das atividades, corrigiu o pai durante uma compra ao reconhecer um ato de violência patrimonial.
“Essas mudanças mostram que o projeto tem efeito real. Estamos formando novas gerações com consciência sobre igualdade e respeito”, destacou.
A superintendente ressaltou ainda a importância do engajamento da sociedade no enfrentamento da violência doméstica. Ela citou campanhas estaduais como “Em briga de marido e mulher se mete a colher” e “Se a gente não fala, a violência não para”, que incentivam a denúncia e buscam sensibilizar a população.
“A violência contra a mulher não é um problema apenas do Estado, é um problema de toda a sociedade. Denunciar é um ato de solidariedade e proteção”, reforçou Camila.
As denúncias podem ser feitas pelos canais 180 (Central de Atendimento à Mulher) e 190 (em casos de emergência), de forma sigilosa e gratuita.
Camila Batista também destacou políticas voltadas à autonomia financeira das mulheres, como editais de apoio a empreendedoras quilombolas, feirantes e mulheres do esporte. Além disso, a Bahia implementou auxílio-aluguel para vítimas de violência e pensão para filhos de vítimas de feminicídio até os 18 anos.
Outro destaque é o Selo Lilás, que certifica empresas públicas e privadas com boas práticas de equidade de gênero, prevenção ao assédio e incentivo à liderança feminina. Mais de 200 empresas já foram certificadas em todo o estado.
“É fundamental trazer o setor privado para esse debate. Quando o poder público, as empresas e a sociedade caminham juntos, conseguimos construir um estado mais justo e igualitário”, concluiu a superintendente.
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