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Daniela Borges defende estudo tradicional na era da IA

Presidenta da OAB-BA afirmou que tecnologia não deve substituir a formação jurídica

Por: Redação

14/05/202617:30

A presidenta da OAB Bahia, Daniela Borges, afirmou que o avanço da inteligência artificial tem transformado a advocacia e imposto novos desafios para estudantes e profissionais do Direito. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Portal Esfera no Rádio, na Rádio Itapoan FM (97,5), apresentado por Luis Ganem, nesta quinta-feira (14).

Daniela Borges, presidente da OAB-BA, em entrevista ao portal Esfera
Foto: Lorena Bomfim/ Portal Esfera

Professora da Universidade Federal da Bahia e da Faculdade Baiana de Direito, Daniela destacou que, diante da popularização das ferramentas de inteligência artificial, nunca foi tão importante investir em estudo e formação crítica.

“A inteligência artificial faz o feijão com arroz. Então nunca foi tão necessário buscar um diferencial, e esse diferencial vem por meio do estudo. Não tem jeito”, afirmou.

Durante a conversa, a advogada ressaltou que a graduação oferece a base teórica necessária, mas defendeu que o aprofundamento do conhecimento depende da dedicação individual dos estudantes:

“A faculdade entrega conteúdo, professores, estrutura. Mas existe uma coisa que nada substitui: sentar na cadeira e estudar. Às vezes é abrir mão da praia, abrir mão do lazer, para estudar mais um pouco."

Uso indiscriminado

Daniela Borges também alertou para os riscos do uso indiscriminado da inteligência artificial na prática jurídica. Segundo ela, apesar de a tecnologia poder auxiliar pesquisas e otimizar tarefas, o profissional não pode se tornar dependente da ferramenta.

“A IA precisa estar a serviço do advogado, e não o advogado refém dela. A responsabilidade continua sendo humana. Quem assina a petição não é a inteligência artificial, é o advogado”, declarou.

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A presidenta da OAB Bahia afirmou ainda que já existem casos de ferramentas de IA produzindo informações incorretas, como jurisprudências inexistentes, artigos de lei falsos e referências inventadas:

“Se o profissional não tiver conhecimento jurídico, ele não vai conseguir validar se aquilo está certo ou errado. E isso é muito perigoso."

Durante a conversa, Daniela também abordou os impactos éticos do uso da inteligência artificial no sistema de Justiça. Ela citou estudos internacionais que apontam a reprodução de vieses discriminatórios em decisões automatizadas.

“A inteligência artificial aprende com decisões humanas. Se ela aprende com decisões que já possuem distorções, ela tende a reproduzir esses problemas”, explicou.

Sem ameaça

Apesar dos desafios, Daniela Borges afirmou que não acredita que a inteligência artificial represente uma ameaça à advocacia. Para ela, a atuação jurídica exige análise crítica, responsabilidade e interpretação humana, fatores que não podem ser totalmente substituídos pela tecnologia:

“O trabalho do advogado é intelectual, envolve avaliação, estratégia, análise de risco e responsabilidade. Isso continua sendo humano."

Além de presidir a OAB Bahia, Daniela Borges atua há mais de 20 anos na advocacia tributária e integra o escritório Didier, Sodré & Rosa Advocacia.