Kiki defende emendas para oposição e cobra diálogo de Jerônimo
Líder do governo na Câmara diz que Salvador avança em participação orçamentáriaa
Por: Marcos Flávio Nascimento
02/06/2026 • 16:40
O líder do governo na Câmara Municipal de Salvador, Kiki Bispo (União Brasil), saiu em defesa da ampliação dos mecanismos de participação dos vereadores na definição do orçamento da capital e afirmou que a Prefeitura tem buscado construir um modelo que contemple inclusive parlamentares da oposição. As declarações foram dadas ao apresentador Luis Ganem, durante entrevista ao programa Portal Esfera no Rádio, na Itapoan FM (97,5).
Segundo Kiki, o debate em torno das chamadas emendas parlamentares municipais representa um avanço democrático para Salvador e pode fortalecer a atuação dos vereadores junto às comunidades.
De acordo com o líder governista, embora o instituto das emendas não estivesse regulamentado da forma como ocorre em outras esferas, a gestão municipal já atendia demandas apresentadas por parlamentares de diferentes correntes políticas.
“O prefeito não tem dificuldade nenhuma em atender vereadores da oposição. Isso já acontece na prática há muito tempo”, afirmou.
Como exemplo, Kiki citou uma obra esportiva viabilizada a partir de recursos federais destinados pelo deputado Daniel Almeida (PCdoB) ao vereador Hélio Ferreira (PCdoB). Segundo ele, o valor inicialmente previsto não era suficiente para a conclusão do projeto, o que levou a Prefeitura a complementar os recursos:
“Veio uma emenda para construir um campo, mas o dinheiro não dava. O prefeito complementou com recursos do município para que a obra fosse realizada."
Prefeitura busca regulamentação para indicações
Durante a entrevista, Kiki explicou que uma reunião recente entre representantes da Prefeitura, vereadores da oposição e o presidente da Câmara, Carlos Muniz (PSDB), teve como objetivo encontrar uma solução técnica para regulamentar esse tipo de indicação orçamentária.
Segundo ele, a intenção é criar um ambiente de maior previsibilidade e transparência para a destinação dos recursos públicos.
“O que se buscou foi justamente encontrar um caminho jurídico e técnico para que isso pudesse acontecer de forma organizada”, disse.
Na avaliação do vereador, o modelo amplia a participação popular e fortalece o papel do Legislativo na definição das prioridades da cidade.
Kiki lembrou ainda que Salvador já possui mecanismos de consulta à população desde a gestão do ex-prefeito ACM Neto, quando foi implantado um sistema de participação popular que permitia aos moradores apontarem as principais demandas de cada região:
“Tudo isso é uma evolução. Primeiro veio a participação popular. Agora os vereadores também passam a ter instrumentos para indicar obras, praças, campos e investimentos sociais."
Crítica ao governo estadual
Além de defender a construção de um modelo de emendas para os vereadores, Kiki aproveitou a entrevista para direcionar críticas ao governador Jerônimo Rodrigues (PT).
O líder do governo Bruno Reis afirmou que sente falta de uma interlocução mais próxima entre o Executivo estadual e os representantes da capital baiana.
“A capital é diferenciada. A gente sente falta desse diálogo. O governador nunca recebeu os vereadores de Salvador”, declarou.
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Kiki disse que a própria oposição municipal reconhece dificuldades para manter interlocução com o governo estadual e defendeu que essa relação seja fortalecida.
“A gente já provocou esse debate. Parece que nem a oposição consegue ser recebida. Imagine os vereadores da base”, acrescentou.
Apesar das críticas ao Palácio de Ondina, o vereador classificou o entendimento construído em Salvador como uma vitória institucional e ressaltou que a cidade será a principal beneficiada com o novo formato de participação orçamentária.
“Quem ganha com isso é Salvador. O orçamento passa a refletir ainda mais as necessidades apontadas pelos vereadores e pela população”, concluiu.
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