Logo

Petróleo dispara após tensão no Irã e redução no tráfego em Ormuz

Conflito no Oriente Médio impulsiona cotações da commodity

Por: Redação

14/07/202609:51

A escalada das tensões no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado internacional de petróleo. Nesta terça-feira (14), os preços da commodity atingiram o maior patamar em cerca de um mês, impulsionados pelos ataques dos Estados Unidos ao Irã e pela redução do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.

Foto Petróleo dispara após tensão no Irã e redução no tráfego em Ormuz
Foto: Divulgação/Petrobras

O barril do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, chegou a US$ 84,56, com alta de 1,5%, alcançando o maior valor desde 12 de junho. Já o petróleo WTI, negociado nos Estados Unidos, avançou 1,9%, sendo cotado a US$ 79,51 por barril, ampliando os ganhos registrados no pregão anterior.

Dados da empresa de monitoramento marítimo Kpler apontam uma queda significativa na movimentação de embarcações pelo Estreito de Ormuz. No período mais recente, apenas dez navios comerciais foram identificados cruzando a passagem, e nenhum deles transportava petróleo bruto.

Responsável pelo escoamento de aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo, o Estreito de Ormuz é considerado estratégico para o abastecimento global. A redução das operações na região aumentou as preocupações do mercado com uma possível restrição na oferta, refletindo diretamente na valorização do petróleo.

Apesar do cenário de incerteza, analistas avaliam que medidas adotadas por grandes consumidores têm contribuído para evitar uma escalada ainda maior dos preços. Entre elas estão o uso de estoques estratégicos e a ampliação das compras de petróleo e gás natural produzidos nos Estados Unidos, atualmente o maior produtor mundial desses combustíveis.

Ao mesmo tempo, o conflito tem acelerado movimentos de diversificação da matriz energética. A China, por exemplo, ampliou as exportações de tecnologias voltadas à energia limpa, enquanto reduziu significativamente as importações de petróleo bruto. Dados alfandegários mostram que as compras chinesas da commodity recuaram 41,3% em junho na comparação com o mesmo período do ano passado.

Leia também:

EUA intensificam ataques ao Irã após escalada no Estreito de Ormuz

EUA bombardeia Irã pela 2ª noite e Teerã retalia bases no Oriente Médio

Trump diz que acordo com o Irã entrou em colapso após ataques

Flávio Bolsonaro pede aos EUA que suspendam tarifa sobre produtos brasileiros

Julgamento sobre royalties do petróleo sofre suspensão no STF

Diante do cenário, países do Golfo também estudam alternativas para diminuir a dependência do Estreito de Ormuz. Entre as medidas em análise está a construção de novos oleodutos capazes de escoar parte da produção sem utilizar a rota marítima. A expectativa de analistas é que essas estruturas possam substituir cerca de metade das exportações da região até o fim de 2027.