Logo

Cobrança de imposto sobre insumos reacende temor de alta nos alimentos

Setor agro teme aumento nos custos de produção, enquanto governo defende mudança como parte da transição da reforma tributária

Por: Redação

09/07/202610:52

A retomada da cobrança de PIS/Cofins sobre parte dos insumos utilizados na produção agrícola voltou a mobilizar representantes do agronegócio e especialistas em economia. A medida, que atinge produtos como fertilizantes, defensivos e sementes, levanta preocupações sobre um possível aumento dos custos no campo e seus reflexos no preço dos alimentos.

Foto Cobrança de imposto sobre insumos reacende temor de alta nos alimentos
Foto: Frisa/Divulgação

Entidades ligadas ao setor avaliam que pequenos e médios produtores tendem a sentir os maiores impactos, por terem menor capacidade de absorver o aumento das despesas. A expectativa é de que parte desse custo possa ser repassada ao consumidor, embora ainda não haja consenso sobre a dimensão desse efeito.

O tema também ganhou espaço no debate político. Enquanto representantes do agronegócio e parlamentares da oposição afirmam que a mudança pode pressionar o custo da alimentação, o governo sustenta que a cobrança faz parte do processo de reorganização do sistema tributário e do equilíbrio das contas públicas.

Especialistas destacam, no entanto, que o preço dos alimentos depende de uma série de fatores, como condições climáticas, variações cambiais, custos logísticos, produtividade das lavouras e a relação entre oferta e demanda. Por isso, ainda não é possível estimar com precisão qual será o impacto da tributação nas prateleiras dos supermercados.

A discussão ocorre em meio à implementação da reforma tributária sobre o consumo, que começará a ser aplicada em 1º de janeiro de 2027. A partir dessa data, terá início a cobrança da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo federal que substituirá o PIS, a Cofins e, posteriormente, o IPI.

Apesar do cronograma definido, alguns pontos da regulamentação ainda aguardam definição, entre eles a alíquota da CBS, as regras do Imposto Seletivo, conhecido como "imposto do pecado", e o funcionamento do chamado split payment, mecanismo que permitirá o recolhimento automático dos tributos no momento da transação.

Leia também:

Flávio Bolsonaro pede aos EUA que suspendam tarifa sobre produtos brasileiros

Flávio Bolsonaro promete defender o Pix em nova viagem aos EUA

O que é a CBS?

A Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) é um dos principais tributos previstos na reforma tributária. Ela substituirá as atuais contribuições ao PIS e à Cofins, com a proposta de simplificar a cobrança de impostos federais sobre o consumo.

O novo modelo seguirá o sistema de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), adotado em diversos países. Na prática, as empresas poderão compensar créditos tributários ao longo da cadeia produtiva, reduzindo a cobrança em cascata e simplificando a apuração dos tributos.

Segundo o governo, a criação da CBS busca tornar o sistema tributário mais simples, transparente e uniforme, além de reduzir disputas judiciais relacionadas à concessão de créditos tributários. A regulamentação completa do novo imposto ainda depende da definição de regras complementares antes de sua entrada em vigor.