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Qualidade faz café baiano conquistar espaço no mercado internacional

Presidente da Assocafé destaca avanço dos cafés especiais e alta da demanda mundial

Por: Domynique Fonseca

14/07/202617:00

No programa Portal Esfera no Rádio, na  97,5 FM, apresentado por Luis Ganem, nesta terça-feira (14), o empresário, cafeicultor e presidente da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), João Lopes Araújo, afirmou que a qualidade dos grãos produzidos no estado se tornou o principal diferencial da cafeicultura baiana. Durante a entrevista, ele destacou que o reconhecimento conquistado nos últimos anos tem ampliado o interesse de compradores nacionais e internacionais pelos cafés especiais produzidos na Bahia.

João Lopes comenta sobre qualidade do café baiano
Foto: Lorena Bomfim/ Portal Esfera

Quarto maior produtor de café do Brasil, atrás apenas de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, o estado produz cafés arábica e conilon em regiões como o Planalto, o Cerrado e o Atlântico. Para João Lopes, no entanto, o maior patrimônio da cafeicultura baiana não está no volume da produção, mas na excelência do produto.

Segundo o presidente da Assocafé, essa foi a estratégia adotada pela entidade desde a sua fundação, há 31 anos, após a extinção do Instituto Brasileiro do Café (IBC). Em vez de disputar espaço apenas pela quantidade produzida, a associação decidiu investir na valorização da qualidade dos grãos.

"Nós não queríamos ter a pretensão de que a Bahia fosse o maior produtor de café do Brasil. Era impossível. Então pensamos: se não podemos ser os maiores, vamos ser os melhores", afirmou.

Para alcançar esse objetivo, a entidade passou a incentivar os produtores a aperfeiçoarem todas as etapas da produção, desde o manejo das lavouras até o beneficiamento dos grãos. João Lopes explicou que a Assocafé também criou concursos de qualidade para estimular boas práticas e aumentar o valor agregado da produção baiana.

O resultado desse trabalho, conforme destacou o dirigente, pode ser observado na diversidade de municípios que hoje se destacam na produção de cafés especiais:

"Os primeiros produtores que ganharam reconhecimento eram de Piatã, favorecidos também pela altitude. Depois começamos a divulgar os concursos e, no último que realizamos, tivemos campeões de 11 municípios diferentes. Isso prova que a Bahia produz café de qualidade em várias regiões."

Além de Piatã, municípios como Vitória da Conquista, Barra da Estiva e Barra do Choça passaram a conquistar espaço entre os produtores de cafés especiais reconhecidos pela qualidade.

Reconhecimento ultrapassa as fronteiras do país

De acordo com João Lopes, o trabalho desenvolvido ao longo das últimas décadas também fortaleceu a imagem do café baiano no exterior. Atualmente, compradores de diferentes países viajam ao estado para conhecer as propriedades e negociar diretamente com os produtores.

"Recebemos compradores da Coreia, dos Estados Unidos, do Reino Unido e da Suécia. Eles saem de seus países para conhecer o produtor que fornece o café que chega ao consumidor lá fora. Isso valoriza o produto e fortalece a imagem da Bahia", comentou.

O presidente da Assocafé observou ainda que, em alguns casos, a procura internacional supera a capacidade de fornecimento dos produtores baianos:

“Às vezes o comprador quer levar mais café da Bahia, mas nós não temos volume suficiente para atender toda essa demanda."

Consumo mundial abre novas oportunidades

Ao analisar o cenário internacional, João Lopes afirmou que o consumo de café continua em expansão, especialmente na Ásia. Segundo ele, a China representa hoje um dos mercados mais promissores para a cafeicultura mundial.

"Há cerca de 20 anos a China consumia aproximadamente 300 mil sacas de café. Hoje esse volume está chegando a 15 milhões de sacas. É um crescimento que surpreende e mostra o tamanho desse mercado", pontuou.

Na avaliação do dirigente, esse aumento da demanda ocorre em um momento em que diversos países produtores enfrentam dificuldades climáticas, reduzindo a oferta global:

"Hoje existe uma escassez de cerca de 10 milhões de sacas de café no mundo. Há compradores procurando produto e sem conseguir encontrar."

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Café especial também conquistou o consumidor brasileiro

João Lopes destacou que a valorização dos cafés especiais não se limita ao mercado externo. Para ele, o consumidor brasileiro passou a ter acesso a produtos de qualidade semelhante aos exportados, mudando uma realidade que predominou durante muitos anos.

"Antigamente se dizia que o café bom era exportado e o ruim ficava para o brasileiro. Isso mudou. Hoje o consumidor brasileiro encontra café de padrão internacional nas cafeterias, nos restaurantes e até em postos de combustível”, explicou.

Segundo o presidente da Assocafé, a popularização das máquinas de café expresso e o crescimento das cafeterias também contribuíram para elevar o nível de exigência dos consumidores e incentivar a produção de grãos cada vez mais qualificados.

Apesar do reconhecimento conquistado, João Lopes observou que a cafeicultura baiana ainda enfrenta desafios para ampliar sua produção. Entre eles, citou a necessidade de investimentos em infraestrutura, irrigação e energia para garantir maior produtividade e competitividade ao setor:

"Construímos uma reputação baseada na qualidade. Esse é um patrimônio que precisamos preservar e continuar valorizando."