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Aeroporto vira alvo de denúncias por acessibilidade em Salvador

Presidente da ABADEF cobra respeito a direitos e fala em “capacitismo estrutural”

Por: Marcos Flávio Nascimento

30/04/202614:05Atualizado

As dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência no aeroporto de Salvador ganharam novo capítulo nesta semana. Em entrevista ao Portal Esfera no Rádio, na Itapoan FM (97,5), com apresentação de Luis Ganem, a presidente da Associação Baiana de Deficientes Físicos (ABADEF), Silvanete Brandão, trouxe denúncias, críticas e cobrou medidas urgentes para garantir o direito de ir e vir com acessibilidade.

Cenário do aeroporto de Salvador
Foto: Marcos Flávio Nascimento / Portal Esfera

Segundo ela, a entidade tem recebido uma série de relatos que apontam barreiras no acesso e na mobilidade dentro do terminal.

“Estamos recebendo muitas denúncias de pessoas que estão tentando fazer com que seu direito seja respeitado. Mobilidade é fundamental para garantir autonomia”, afirmou.

A repercussão do tema já ultrapassou o campo das reclamações. De acordo com Silvanete, o caso foi levado ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), enquanto a empresa responsável pela administração do aeroporto entrou em contato após a divulgação das denúncias. Ainda assim, ela faz um alerta sobre a forma como o problema vem sendo tratado.

“Isso não é favor. É um direito constitucional. Está sendo colocado como se fosse concessão, e isso é inaceitável”, criticou.

Gratuidade

Outro ponto levantado envolve a possível gratuidade em serviços de transporte por aplicativo dentro do aeroporto, medida que ainda gera dúvidas. A presidente questionou a falta de critérios claros:

“Como o sistema vai identificar quem precisa de mais tempo ou de atendimento específico? Nem toda deficiência é visível, e isso precisa ser considerado”, disse.

Além das falhas operacionais, Silvanete também chamou atenção para o comportamento social diante do tema. Para ela, o problema vai além da estrutura física e escancara um cenário mais profundo.

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“Existe um capacitismo estrutural. As pessoas dizem que não há dificuldade porque pessoas com deficiência não viajam. Isso mostra falta de empatia e desconhecimento”, pontuou.

Ao final, a representante da ABADEF reforçou que a pauta precisa ser coletiva e urgente: “Qualquer pessoa pode se tornar uma pessoa com deficiência em algum momento. É uma causa que precisa ser abraçada por toda a sociedade."