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Senado cria comissão para investigar fraudes no Banco Master

Comitê terá poderes para convocar autoridades e quebrar sigilos

Por: Agência Brasil|Redação

04/02/202617:17Atualizado

O Senado Federal instalou, nesta quarta-feira (4), um subdepartamento da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) para acompanhar as investigações sobre suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. O colegiado contará com 13 integrantes e será coordenado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Foto  Senado cria comissão para investigar fraudes no Banco Master
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Segundo o parlamentar, a comissão atuará de forma independente e poderá propor quebras de sigilo bancário ou telefônico, além de convocar testemunhas, investigados e realizar diligências em órgãos públicos. As supostas irregularidades, atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, podem chegar a R$ 17 bilhões, de acordo estimativas do próprio Senado.

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Entre os pontos investigados está a tentativa de venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), ligado ao governo local. A comissão pretende apurar se houve pressão de autoridades do Banco Central sobre a negociação e se a instituição pública seria prejudicada na operação.

Foco na fiscalização e liquidação


O colegiado também vai analisar a atuação do Banco Central na liquidação da instituição. Calheiros afirmou que houve demora na intervenção da autoridade monetária e denúncias de pressão sobre o Tribunal de Contas da União (TCU) para reverter a decisão. A investigação inclui ainda questionamentos sobre o aumento do seguro do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$250 mil para R$ 1 milhão, que beneficiaria investidores do Master.

O senador informou ainda que pretende enviar questionamentos ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobre uma reunião envolvendo Vorcaro. A intenção é esclarecer fatos que possam colaborar com os trabalhos do colegiado e fornecer subsídios para medidas futuras.

Pedidos de comissões parlamentares de inquérito (CPI e CPMI) também tramitam no Congresso. A oposição protocolou requerimento com apoio de 42 senadores e 238 deputados, número superior ao mínimo exigido. A autorização para criação do comitê, no entanto, depende do presidente da casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que ainda não se manifestou sobre o tema.