Relatório cita mensagem de Wagner sobre situação do Banco Master
PF aponta troca de mensagens e reuniões com ex-sócio de Daniel Vorcaro
Por: Redação
23/06/2026 • 10:40 • Atualizado
A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o senador Jaques Wagner (PT-BA) teria atuado de forma alinhada a interesses do Banco Master entre 2022 e 2025. A conclusão consta em relatório da investigação da Operação Compliance Zero, que apura supostos benefícios concedidos ao conglomerado financeiro. As informações foram divulgadas pelo Estadão.
De acordo com a PF, mensagens encontradas em celulares apreendidos indicam que Wagner manteve contato frequente com o empresário Augusto Lima, ex-sócio do banco, e acompanhou temas de interesse da instituição. Em um dos diálogos analisados, o senador afirmou que precisava conversar para saber “como estão as coisas do banco” e também tratar de questões relacionadas ao cenário eleitoral.
As investigações apontam ainda a realização de encontros em Brasília entre Wagner e Lima. Segundo os investigadores, as conversas e reuniões fariam parte de um conjunto de ações que demonstrariam o envolvimento do parlamentar em pautas consideradas estratégicas para o Banco Master.
Outro ponto destacado pela PF envolve a tramitação de uma proposta legislativa relacionada ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O projeto, apresentado pelo senador Ciro Nogueira, previa ampliar a cobertura do fundo e, segundo a investigação, poderia beneficiar o Banco Master em um momento de dificuldades de liquidez.
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Ainda conforme o relatório, após um encontro no gabinete de Wagner, Augusto Lima teria encaminhado ao senador informações sobre a proposta. Para a PF, a sequência de contatos sugere um acompanhamento próximo da tramitação da matéria por parte do parlamentar.
Na última semana, Jaques Wagner foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a nona fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de que ele teria recebido vantagens indevidas vinculadas ao grupo financeiro, incluindo a suposta aquisição de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, além de repasses financeiros a uma empresa ligada à família do senador.
Shows e viagens
Os investigadores também mencionam o recebimento de ingressos para shows da cantora Taylor Swift, realizados nos Estados Unidos e no Brasil, além de viagens em aeronave particular pertencente a Augusto Lima.
Em nota enviada ao jornal O Estado de S. Paulo, a defesa de Jaques Wagner negou qualquer atuação ou intermediação em favor do Banco Master. Os advogados afirmaram que as conversas citadas pela investigação tinham caráter pessoal e sustentaram que a atuação do senador no Congresso é pautada pelo interesse público e pela defesa dos consumidores.
A defesa de Augusto Lima também rejeitou irregularidades e declarou que o empresário sempre atuou dentro dos limites da legislação, observando as normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.
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