PF apreende dólares e euros em hotel e endereços ligados a Jaques Wagner
Valores somam R$ 440 mil; operação investiga apartamento de luxo e repasses a familiares
Por: Redação
18/06/2026 • 12:51
A Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 440 mil em moedas estrangeiras durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18), e ampliou o cerco sobre o senador Jaques Wagner (PT) em uma investigação que apura supostas conexões entre o parlamentar e o grupo ligado ao Banco Master.
Do total apreendido, aproximadamente 55 mil dólares e 33 mil euros foram encontrados em endereços vinculados ao líder do governo no Senado. Segundo as informações da investigação, cerca de 49 mil dólares em espécie estavam no quarto de hotel utilizado por Wagner em Brasília. O restante foi localizado em imóveis na Bahia.
Além do dinheiro, um dos focos da apuração envolve um apartamento situado no edifício Mansão Victory Tower, em Salvador. Avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, o imóvel está localizado em uma das regiões com o metro quadrado mais valorizado da capital baiana.
Conforme os investigadores, a suspeita é de que a transferência da propriedade tenha ocorrido por meio de uma operação envolvendo Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, com participação de intermediários ligados ao grupo investigado.
Dinheiro, apartamento e benefícios estão sob análise
As suspeitas ganharam força após a análise de dados extraídos do celular de Augusto Lima, apontado pela PF como um dos principais articuladores da relação entre o grupo empresarial e agentes políticos.
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Paralelamente, a investigação também examina o uso frequente de aeronaves ligadas ao grupo de Vorcaro, além do recebimento de ingressos para eventos e shows por pessoas próximas ao senador.
Outra frente da apuração busca identificar eventual atuação de Jaques Wagner em pautas consideradas estratégicas para o Banco Master no Congresso Nacional. Entre os temas analisados estão propostas relacionadas à ampliação do crédito consignado e mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Relação investigada remonta ao período do governo da Bahia
Segundo a linha de investigação da Polícia Federal, a relação entre integrantes do grupo econômico e o senador teria origem ainda no período em que Wagner comandava o Governo da Bahia.
Nesse contexto, os investigadores citam a privatização da rede Cesta do Povo, operação que posteriormente deu origem ao Credcesta, programa que se tornou um dos principais produtos vinculados ao grupo financeiro.
Em manifestações anteriores, Jaques Wagner negou participação em negociações ou intermediações em favor de empresas ligadas a familiares. O senador também afirmou não ter cometido qualquer irregularidade.
A Operação Compliance Zero continua em andamento, e a Polícia Federal segue analisando documentos, equipamentos eletrônicos e demais materiais apreendidos durante a ação.
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