CPI aprova quebra de sigilos de aliados de dono do Banco Master
Medida atinge familiares e empresas citadas em investigação sobre operações financeiras
Por: Redação
11/03/2026 • 11:43
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou, nesta quarta-feira (11), uma série de requerimentos relacionados às investigações sobre operações envolvendo o Banco Master. Entre as medidas autorizadas está a quebra de sigilos bancário e fiscal de pessoas e empresas citadas nas apurações.
Um dos alvos é Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro. Também tiveram os sigilos autorizados para quebra Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado nas investigações como aliado de Vorcaro, além de companhias mencionadas no inquérito.
Entre as empresas atingidas pela decisão do colegiado estão Varajo Consultoria, Participações Imobiliárias e King Locação de Veículos. De acordo com as investigações, a Varajo Consultoria teria sido utilizada para o pagamento de vantagens indevidas a um ex-servidor ligado ao Banco Central.
Convocações
A CPI também aprovou a convocação de dois ex-integrantes do Banco Central do Brasil que são investigados no caso: o ex-diretor de fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-servidor Belline Santana.
Segundo a Polícia Federal do Brasil, ambos teriam mantido relação direta com Vorcaro e prestado uma espécie de “consultoria informal” ao banqueiro em processos que tramitavam dentro da instituição reguladora.
Fabiano Campos Zettel, que também atua como pastor e empresário, é casado com Natália Vorcaro, irmã do dono do Banco Master. Considerado um dos homens de confiança do banqueiro, ele se apresentou à Polícia Federal na semana passada após ser alvo de uma nova fase da Operação Compliance Zero.
Depoimento de empresário
Ainda nesta quarta-feira, a comissão ouviu o empresário João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag Investimentos. A oitiva durou menos de uma hora e teve como objetivo esclarecer operações financeiras sob investigação.
Durante o depoimento, Mansur afirmou que a empresa adotava padrões elevados de governança e mantinha um conselho independente. Ele também declarou que as operações da gestora eram transparentes.
Investigações da Polícia Federal indicam que a Reag teria administrado fundos que poderiam ter sido utilizados para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master. A gestora foi liquidada pelo Banco Central no início deste ano.
Mansur confirmou que o Banco Master e seus acionistas figuravam entre os clientes da empresa. Ele também destacou que a gestora já foi alvo da Operação Carbono Oculto, que apura possíveis infiltrações do crime organizado nos setores financeiro e de combustíveis.
Após essa investigação, o empresário deixou o comando do conselho de administração da gestora, que posteriormente anunciou a venda de seu controle acionário. Durante a audiência, Mansur negou irregularidades.
“Não somos uma empresa de fachada e não temos investidores ocultos”, afirmou.
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