Como saber se uma pesquisa eleitoral é confiável? Especialista responde
Adriano Sampaio falou sobre credibilidade, metodologias e os desafios dos levantamentos
Por: Domynique Fonseca
07/07/2026 • 12:59 • Atualizado
A credibilidade das pesquisas eleitorais, os critérios que garantem a confiabilidade dos levantamentos e o impacto das novas tecnologias na inteligência de mercado foram os principais temas da entrevista concedida por Adriano Sampaio, CEO e analista de inteligência de mercado da Duplamente Inteligência (@duplamente_inteligencia), ao programa Portal Esfera no Rádio, na Itapoan 97,5 FM, nesta terça-feira (7), apresentado por Luis Ganem.
Publicitário, relações-públicas e sócio-diretor da Duplamente Pesquisas, Adriano destacou que a perda de confiança em parte dos levantamentos eleitorais não compromete a importância da pesquisa como ferramenta científica para compreender o comportamento da sociedade.
Segundo ele, assim como em qualquer profissão, existem empresas que seguem rigorosamente critérios técnicos e outras que não mantêm o mesmo padrão de qualidade.
"Em qualquer área profissional existem pessoas sérias e pessoas que não são sérias. Infelizmente, no mundo da pesquisa houve oscilações relacionadas a resultados que foram questionados e, por isso, a credibilidade realmente caiu. Mas uma pesquisa séria sempre vai ter seu lugar e seu respeito. Não existe outra forma de conhecer tendências e compreender qualquer área sem pesquisa", afirmou.
Inteligência de mercado vai além das pesquisas
Durante o bate-papo, Adriano explicou que o conceito de inteligência de mercado ultrapassa a realização de pesquisas de opinião. Segundo ele, o trabalho envolve a análise e o cruzamento de diferentes bases de dados para identificar tendências e auxiliar na tomada de decisões:
"Hoje trabalhamos com dados de diversos setores. A pesquisa gera informações, mas também utilizamos bases de dados já existentes para cruzar esses resultados e apontar caminhos. Atuamos em segmentos como saúde, petróleo e gás, varejo, telecomunicações e também na área política."
Ao comentar a margem de acerto dos levantamentos, Adriano ressaltou que nenhuma pesquisa oferece precisão absoluta. Segundo ele, os resultados representam um retrato do cenário no momento da coleta das informações.
"Pesquisa nunca será 100% precisa. Ela mostra o padrão atual. O mercado trabalha, em geral, com nível de confiança de 95% e margens de erro que variam de acordo com o tamanho da amostra. Quando diferentes institutos realizam pesquisas no mesmo período, os resultados precisam estar compatíveis dentro dessas margens. Se houver diferenças muito grandes, aí sim é necessário analisar o que aconteceu", disse.
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Outro ponto destacado pelo especialista foi a elaboração do questionário, considerada por ele uma das etapas mais importantes do processo:
"A criação do formulário representa boa parte da qualidade da pesquisa. Cada objetivo exige uma técnica específica, diferentes tipos de perguntas e uma estrutura adequada. Depois disso, entram fatores como a aplicação correta, o controle da coleta e a distribuição da amostra."
Pesquisas eleitorais exigem abordagem presencial
Apesar do crescimento das pesquisas realizadas pela internet, Adriano afirmou que, no caso das eleições, a abordagem presencial continua sendo o modelo mais indicado.
Segundo ele, temas políticos costumam gerar receio entre os entrevistados, o que pode comprometer respostas obtidas por telefone ou plataformas digitais.
"Mais de 90% das pesquisas que realizo hoje são online, mas política é diferente. O entrevistado pode ter receio de responder por telefone ou pela internet. A pesquisa presencial oferece mais segurança para que a pessoa manifeste sua opinião", avaliou.
O especialista também alertou para a diferença entre pesquisas eleitorais e levantamentos feitos em locais de grande circulação, como shoppings:
"Uma pesquisa realizada na porta de um shopping não pode representar todo o eleitorado. Esse tipo de levantamento serve para estudos de comportamento, hábitos de consumo e marketing. Já a pesquisa eleitoral deve seguir critérios científicos de amostragem e, preferencialmente, ser domiciliar."
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