PF apura suposto esquema de R$ 2 milhões para atacar o Banco Central
Investigação aponta que recursos teriam financiado campanha contra o BC nas redes sociais
Por: Redação
10/07/2026 • 09:26
A Polícia Federal investiga um suposto esquema que teria destinado até R$ 2 milhões a influenciadores digitais para a publicação de conteúdos contra o Banco Central (BC). Segundo a corporação, os pagamentos estariam ligados ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e fariam parte de uma estratégia de comunicação batizada de "Projeto DV".
As suspeitas são alvo da 10ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quinta-feira (9) por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura uma suposta atuação coordenada para enfraquecer a credibilidade do Banco Central após a liquidação do Banco Master, em novembro do ano passado.
Na decisão que autorizou a operação, Mendonça também determinou o cumprimento de dois mandados de busca e apreensão em Brasília. Conforme a Polícia Federal, há indícios de que recursos provenientes das fraudes investigadas envolvendo o banco tenham sido utilizados para financiar uma campanha de desinformação nas redes sociais.
Além dos pagamentos a influenciadores, a PF investiga suspeitas de intimidação contra pessoas que recusaram participar da campanha, monitoramento ilegal de jornalistas e indivíduos ligados a autoridades públicas, obtenção indevida de informações sigilosas e possíveis tentativas de interferir no andamento das investigações.
Publicitário é apontado como articulador
Um dos alvos da operação foi o publicitário Thiago Miranda Silva, proprietário da Miranda Comunicação, conhecida como Agência MiThi. De acordo com a decisão judicial, a busca e apreensão foi autorizada para preservar provas digitais consideradas relevantes para o inquérito.
Segundo a investigação, Thiago Miranda seria o principal responsável pela execução do chamado "Projeto DV". Em depoimento à Polícia Federal, ele afirmou que conheceu Daniel Vorcaro durante as negociações para a venda de parte do portal Léo Dias, em uma transação de R$ 3,5 milhões. Ainda conforme seu relato, o ex-banqueiro demonstrava interesse em ampliar investimentos no setor de comunicação.
O publicitário também declarou que, após a primeira soltura de Vorcaro, apresentou uma proposta de reestruturação de imagem e gerenciamento de crise. Segundo ele, foi nesse contexto que surgiu o Projeto DV, que previa a divulgação de conteúdos relacionados à prisão do empresário e às investigações envolvendo o Banco Master.
Reprodução/Redes Sociais
Pagamentos a influenciadores
A decisão do ministro André Mendonça aponta que os pagamentos aos influenciadores eram operacionalizados por Thiago Miranda. Em depoimento, o publicitário confirmou que realizava os repasses.
Ele afirmou, no entanto, que os recursos utilizados eram provenientes dos valores recebidos pela venda de parte do portal Léo Dias e que os pagamentos eram feitos por meio da empresa Super Empreendimentos e Participações, ligada a Daniel Vorcaro.
Para a Polícia Federal, entretanto, há indícios de que o dinheiro empregado na campanha tenha origem nas fraudes financeiras investigadas no âmbito da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.
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Defesa nega irregularidades
Em nota, a defesa de Thiago Miranda negou a prática de qualquer ilegalidade e afirmou que a investigação não autoriza a antecipação de conclusões sobre eventual responsabilidade.
Os advogados sustentam que o publicitário sempre atuou de forma legal e transparente, negam qualquer participação em atos de intimidação ou coação e informam que ele permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. A defesa também afirmou que acompanhará o andamento das investigações e adotará as medidas jurídicas necessárias para assegurar o respeito ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.
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