Desigualdade de gênero agrava crise global de acesso à água
Relatório da UNESCO expõe impacto sobre mulheres e meninas
Por: Redação|Agência Brasil
19/03/2026 • 12:48
Responsáveis por grande parte da coleta de água no mundo, mulheres e meninas seguem afastadas das decisões e cargos de liderança no setor hídrico, o que aprofunda as desigualdades e compromete a segurança hídrica global. O alerta está no novo relatório divulgado pela UNESCO, em nome da ONU-Água.
De acordo com o levantamento, mais de 70% dos domicílios rurais sem acesso à água dependem diretamente do trabalho feminino para suprir essa necessidade básica. Ainda assim, a presença delas em espaços de governança e tomada de decisão continua sendo limitada.
Na avaliação de Khaled El-Enany, ampliar a participação feminina na gestão da água é essencial para garantir avanços no desenvolvimento sustentável. Ele destaca que o acesso igualitário não é apenas um direito, mas um fator que beneficia toda a sociedade.
O presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola e da ONU-Água, Alvaro Lario, reforça que o protagonismo feminino precisa ser reconhecido de forma prática. Segundo ele, homens e mulheres devem atuar juntos na administração desse recurso essencial.
Divulgado no contexto do Dia Mundial da Água, o relatório também aponta que cerca de 2,1 bilhões de pessoas ainda vivem sem acesso seguro à água potável. Nesse cenário, mulheres e meninas são as mais impactadas, enfrentando riscos à saúde, perda de oportunidades educacionais e maior exposição à violência de gênero.
Entre os dados mais alarmantes, o estudo revela que, diariamente, mulheres e meninas dedicam cerca de 250 milhões de horas à coleta de água, tempo que poderia ser investido em educação ou geração de renda. A desigualdade também aparece na infância, já que meninas com menos de 15 anos têm maior probabilidade de realizar essa tarefa do que meninos.
Além disso, a falta de saneamento adequado afeta diretamente a dignidade feminina, sobretudo durante o período menstrual. Milhões de adolescentes deixam de frequentar a escola ou atividades sociais por não terem acesso a condições básicas de higiene.
Outro ponto crítico envolve o acesso à terra, já que em muitos países os direitos sobre a água estão ligados à propriedade. Como homens ainda concentram maior parte das terras, mulheres enfrentam barreiras estruturais para utilizar recursos hídricos de forma produtiva, especialmente na agricultura.
Para enfrentar o problema, o relatório recomenda medidas como a eliminação de barreiras legais e institucionais, o investimento em dados desagregados por gênero e o fortalecimento da liderança feminina no setor. A proposta é clara, sem equidade, não há solução sustentável para a crise da água.
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