“Meu trabalho é chegar antes do feminicídio”, diz Isabela Conde
Ativista relata ataque brutal e defende prevenção ao feminicídio
Por: Domynique Fonseca
18/03/2026 • 12:55 • Atualizado
A violência doméstica e o avanço dos casos de feminicídio no Brasil foram temas centrais da entrevista concedida pela ativista Isabela Oliveira Conde (@isabela_conde) ao Programa Portal Esfera no Rádio, da 97,5 FM, nesta quarta-feira (18). Durante a conversa com o apresentador Luís Ganem, ela compartilhou detalhes de sua história de sobrevivência e o trabalho que desenvolve no apoio a mulheres vítimas de violência.
Isabela foi vítima de uma tentativa de feminicídio em 2019. Segundo relato, ela foi atacada com 68 golpes de faca após ser levada pelo então namorado, acompanhado de outros dois homens, em um carro. O crime ocorreu enquanto o veículo trafegava pela Avenida Bonocô, em Salvador.
Durante o ataque, a fisioterapeuta conseguiu sobreviver ao se fingir de morta. Os agressores, acreditando que ela não resistiu, abandonaram seu corpo em uma área de mata às margens da BR-324, no trecho do município de Simões Filho. Isabela foi socorrida por pessoas que passavam pelo local e encaminhada ao Hospital do Subúrbio.
As sequelas foram graves: ela perdeu a visão de um dos olhos e enfrentou um longo processo de reabilitação física e psicológica. Apesar disso, decidiu transformar a experiência em mobilização social.
“Eu sobrevivi por um milagre. E quando entendi que outras mulheres não tiveram a mesma chance, percebi que precisava fazer algo”, afirmou.
Desde 2020, Isabela atua no apoio a vítimas de violência por meio da ONG Ampara Mulher (@amparamulher), que reúne uma equipe multidisciplinar formada por advogadas, psicólogas, assistentes sociais e voluntários. Segundo ela, mais de 4.500 mulheres já foram atendidas pela iniciativa. Atualmente, cerca de 700 seguem em acompanhamento.
De acordo com a ativista, o principal objetivo do trabalho é prevenir mortes.
“A gente precisa chegar antes do feminicídio. Muitas vezes, a denúncia sozinha não resolve. É necessário preparar essa mulher, entender o contexto em que ela vive e construir estratégias seguras de saída”, explicou.
Aumento dos casos e desafios
Durante a entrevista, Isabela também destacou a preocupação com o crescimento dos casos de feminicídio. Para ela, embora a violência doméstica não seja um fenômeno recente, o cenário atual reflete mudanças sociais.
“Hoje, a mulher tem mais autonomia, está no mercado de trabalho, tem independência. E muitos homens ainda não estão preparados para lidar com isso. Essa resistência pode gerar um sentimento de rejeição que, em casos extremos, evolui para a violência letal”, avaliou.
A ativista ressaltou ainda que medidas protetivas, embora importantes, nem sempre são suficientes para garantir a segurança das vítimas.
“Existem casos de mulheres que são mortas mesmo com proteção judicial. Por isso, é fundamental fortalecer a base emocional, social e estratégica antes de qualquer decisão”, concluiu.
Relacionadas
