Operação mira supostos infiltrados do PCC em órgãos públicos de SP
Ex-estagiário do Ministério Público e agentes ligados à segurança pública são investigados
Por: Redação
09/06/2026 • 08:42
Uma operação realizada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) na manhã desta terça-feira (9) resultou na prisão temporária de três pessoas suspeitas de manter vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os detidos estão um ex-estagiário do próprio Ministério Público, um investigador da Polícia Civil e um ex-investigador da corporação.
De acordo com as investigações, os suspeitos teriam atuado para beneficiar integrantes da organização criminosa e estariam envolvidos em um plano para assassinar um promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O alvo da suposta ação criminosa seria o promotor Amauri Silveira Filho.
Além das prisões, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão nos municípios de Campinas e Cardoso, no interior paulista. A ofensiva é um desdobramento de investigações conduzidas anteriormente pelo Ministério Público.
Segundo os investigadores, um dos principais suspeitos de participar da tentativa de atentado contra o promotor teria se reunido, dias antes da deflagração da Operação Pronta Resposta, em 2025, com o chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas.
Durante as apurações, foram apreendidos materiais que incluem vídeos apontados como evidências de encontros entre investigados pouco antes da operação que teria frustrado o plano criminoso. O Ministério Público também busca esclarecer o possível repasse de informações sigilosas por parte de agentes públicos a integrantes da facção.
As investigações revelaram ainda um suposto esquema de extorsão envolvendo criminosos de alto poder aquisitivo. Conforme o MPSP, um ex-estagiário do órgão teria utilizado o acesso a sistemas internos e bancos de dados para identificar alvos e obter informações privilegiadas.
A suspeita é de que ele tenha ingressado em uma Promotoria Criminal de Campinas com o objetivo de coletar dados estratégicos para atividades ilícitas. Após identificar integrantes da organização criminosa com elevado patrimônio, o investigado teria exigido pagamentos em troca de suposta proteção contra investigações.
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O Ministério Público aponta que o esquema contava com a colaboração de outros envolvidos, entre eles um policial penal e um ex-policial civil que já havia sido expulso da corporação após condenação relacionada ao crime de extorsão mediante sequestro.
Os investigadores também apuram o uso da estrutura de um escritório de advocacia para a prática dos atos de extorsão. Em razão disso, as diligências realizadas no local foram acompanhadas pela Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), conforme prevê a legislação.
A operação contou ainda com o apoio das corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal. Os investigados poderão responder por crimes relacionados à participação em organização criminosa, extorsão e outros delitos que ainda estão sendo apurados.
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