Banco Master: Investigação envolve R$ 29 bilhões e 14 mandados em cinco meses
Prisões e suspeitas de corrupção marcam investigação sobre a instituição
Por: Redação
18/04/2026 • 10:40 • Atualizado
A Operação Compliance Zero, que investiga fraudes envolvendo o Banco Master, completa cinco meses neste sábado (18) com números expressivos. Desde o início, já foram bloqueados cerca de R$ 29 bilhões e cumpridos 14 mandados de prisão. Na fase mais recente, deflagrada na última quinta-feira (17), o foco das apurações avançou sobre o Banco de Brasília.
Investigadores apontam suspeitas de corrupção em operações entre as instituições. A etapa resultou em dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão, incluindo a detenção do ex-presidente do banco, Paulo Henrique Cunha.
Após a prisão, Cunha foi transferido da sede da Polícia Federal (PF) para o Complexo Penitenciário da Papuda, onde permanece à disposição da Justiça. O caso deve ser analisado pelo Supremo Tribunal Federal na próxima semana, que decidirá sobre a manutenção da prisão.
Suspeitas envolvem propina e corrupção
De acordo com as investigações, o ex-dirigente do BRB teria recebido seis imóveis como vantagem indevida para facilitar operações consideradas irregulares. As suspeitas indicam um esquema mais amplo, com possível participação de agentes públicos e uso de estruturas financeiras complexas.
Ao longo das etapas, a apuração evoluiu de fraudes financeiras para indícios de corrupção, obstrução de Justiça e até ameaças envolvendo investigados.
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Entenda as fases da operação
A primeira fase, iniciada em novembro de 2025, mirou operações suspeitas de compra e venda de créditos. Segundo a investigação, ativos inexistentes eram usados para justificar transações bilionárias. Na ocasião, houve prisões de dirigentes e bloqueio inicial de R$ 1,3 bilhão.
Já na segunda etapa, o foco se ampliou para possíveis fraudes no sistema financeiro nacional, com uso de fundos de investimento em estruturas complexas. O volume bloqueado subiu para R$ 5,7 bilhões.
Mudanças na relatoria do caso também marcaram o processo. O ministro Dias Toffoli deixou o caso após questionamentos internos, sendo substituído por André Mendonça, que passou a conduzir as investigações.
Na terceira fase, a apuração avançou sobre suspeitas de obstrução de Justiça, além de novas prisões e bloqueios que elevaram o total para cerca de R$ 22 bilhões.
Investigação pode avançar
As autoridades ainda aprofundam o caso, que ainda pode ter novos desdobramentos. A expectativa é de que uma possível colaboração premiada do empresário Daniel Vorcaro traga novas informações sobre o esquema e envolva outros agentes públicos e privados.
Com isso, a Operação Compliance Zero entra em uma nova fase, com impacto crescente no sistema financeiro e no cenário político nacional.
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