Logo

Crianças neurotípicas golpeiam dificuldades diárias com aplicação de jiu-jitsu

Pais e especialistas detalham, ao Portal Esfera, os efeitos do esporte no desenvolvimento pessoal

Por: Ludmilla Cohim

27/11/202519:00Atualizado

O jiu-jitsu é uma arte marcial que surgiu e se fortaleceu no Brasil com base na essência do judô japonês. Dentro do contexto humano, a importância desse esporte ultrapassa a ideia inicial de defesa pessoal. O que pode explicar, por exemplo, a escolha cada vez mais crescente, e já considerada como assertiva, por pais de crianças neurotípicas, que possuem uma evolução neurológica de modelo classificado como típico, os quais notam os benefícios físicos, cognitivos e sociais na vida dos filhos.

Jiu-jitsu
Foto: Ilustrativa/João Ubaldo/Ascom Sudesb

De acordo com dados do Ministério dos Esportes, aproximadamente 2,5 milhões praticam o jiu-jitsu no Brasil. No ranking, a modalidade fica atrás somente da corrida e da caminhada, em nível de favoritismo. O prazer pela força do esporte é sentida pelo servidor público Jerônimo Bezerra.

Faixa preta de jiu-jitsu há 17 anos, ele nunca teve dúvidas de que a educação dos seus dois filhos João Gabriel, de 9 anos e Bento, de 8, seria essencialmente atrelada a alguma arte marcial, em função dos valores morais trabalhados nas aulas e nas sessões de treinamento.

Arquivo pessoal

Arquivo pessoal


No momento, a principal valência aperfeiçoada foi a motricidade: "Os meninos tiveram um grande desenvolvimento quanto à movimentação corporal. Além disso, há um ganho substancial com relação a disciplina e a socialização”, acrescenta o pai de crianças neurotípicas. 

 

Passo a passo 

 

O também faixa preta, professor e campeão de dois eventos do circuito da AJP Tour de Jiu-Jítsu, Diego Kalil, de 37 anos, explica que a adaptação da criança neurotípica com o esporte costuma ser gradual e com resultados amplamente positivos. 

Arquivo Pessoal

Arquivo Pessoal


“No início, a criança ainda não tem confiança no ambiente ou no orientador. Tudo é desconhecido: o kimono e a sensação de usá-lo, as nomenclaturas, as dinâmicas da aula. Com paciência e metodologia, ela começa a absorver o conteúdo, desenvolve senso de hierarquia e disciplina, melhora o desenvolvimento psicomotor e, principalmente, conquista autonomia”, descreve.

Kalil ainda deu pistas aos pais sobre a melhor forma de escolher a academia ideal para uma criança neurotípica praticar o esporte. O profissional enfatiza que a relevância da academia envolve a presença de professores especializados, mesmo com a mão de obra ainda escassa no estado. 

“O mais importante é que exista uma metodologia organizada por níveis, permitindo que a criança evolua de forma segura e estruturada. Além disso, os pais devem observar a empatia dos professores e dos alunos, o cuidado com a comunicação e a forma como o ambiente recebe e acolhe a criança”, adverte.

 

Autoestima, segurança e superação 

 

O exercício diário da atividade física pode proporcionar o fortalecimento expressivo da autoestima, principalmente pela sensação das pessoas autistas sobre pertencimento a um grupo. É o que assegura a psicóloga Infanto-Juvenil, Anne Freitas.

“Um dos maiores ganhos é o desenvolvimento de habilidades sociais, como compreender dinâmicas de grupo, respeitar turnos, lidar com frustrações e vivenciar, com segurança, tanto o perder quanto o ganhar. A prática também fortalece a autoestima, já que a criança vivencia conquistas progressivas e alcança novos desafios de forma estruturada e previsível”, destaca.

Anne cita ainda os benefícios motores gerados pelo esporte: “Trabalha a coordenação, equilíbrio, força, consciência corporal e organização motora; aspectos frequentemente desafiadores para crianças no espectro e que são naturalmente estimulados no tatame.”

Como forma de ajudar os pais, a profissional orienta sobre a relevância dos pais dialogarem com o sensei, expondo questionamentos, inseguranças e aspectos particulares da criança. 

“Embora o TEA seja um diagnóstico, cada criança possui suas singularidades, necessidades e ritmos. Esse contato inicial ajuda o professor a ajustar expectativas, adaptar a rotina e criar um clima de confiança. Uma transição, com visitas ao espaço, observação das aulas e apresentação do professor, também favorece a adaptação e aumenta as chances de a criança se sentir segura e motivada a participar”, alerta.