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Calor e festas elevam risco de lesões vocais, alerta fonoaudióloga

Projeto Voz em Alta reforça prevenção para foliões e profissionais da voz no verão

Por: Marcos Flávio Nascimento

02/02/202616:00

O período de verão e de grandes eventos populares, como o Carnaval, aumenta de forma significativa o risco de rouquidão, fadiga vocal e lesões nas pregas vocais, especialmente entre pessoas que usam a voz de forma intensa no dia a dia. O alerta foi feito pela fonoaudióloga Kelly Vieira, durante entrevista ao programa Portal Esfera no Rádio, comandado por Luis Ganem na rádio Itapoan FM (97.5FM).

Foto Calor e festas elevam risco de lesões vocais, alerta fonoaudióloga
Foto: Pedro Henrique / Portal Esfera

Segundo a especialista, o principal erro cometido por foliões e profissionais da voz é ignorar cuidados básicos de prevenção vocal. “As pregas vocais são músculos. Da mesma forma que qualquer outro músculo do corpo, elas precisam ser aquecidas antes do uso intenso”, explicou.

Kelly ressaltou que o aquecimento vocal não é exclusivo de cantores ou artistas.

“Todo mundo conversa, canta, grita, tenta se comunicar em ambientes barulhentos. Então o aquecimento é importante para qualquer pessoa que vai usar a voz”, afirmou.

Aquecimento, hidratação e repouso vocal

De acordo com a fonoaudióloga, práticas simples podem reduzir consideravelmente o risco de problemas.

“Hidratação constante, água em temperatura ambiente, aquecimento antes de sair de casa e desaquecimento ao final do dia fazem muita diferença”, disse.

Ela também chamou atenção para o repouso vocal, mesmo que por poucos minutos. “Não é normal sentir cansaço ao falar, nem acordar rouco achando que isso é charme. Rouquidão, fadiga e dor ao falar são sinais de alerta”, pontuou.

Kelly explicou que pequenas pausas ao longo do dia já ajudam a preservar a voz. “O ideal seria 15 minutos de repouso, mas se não for possível, faça pelo menos 5 ou 10 minutos sem falar”, orientou.

Profissionais mais expostos precisam de atenção redobrada

Durante a entrevista, a fonoaudióloga destacou que jornalistas, palestrantes, ambulantes, advogados e repórteres de rua estão entre os grupos mais expostos. “Esses profissionais lidam com vento, ruído, calor e longas jornadas falando. A voz é o instrumento de trabalho deles”, afirmou.

Ela reforçou que, em ambientes muito barulhentos, o ideal é evitar elevar o tom. “Se precisar falar, aproxime-se da pessoa e faça pausas. Forçar a voz nessas condições aumenta o risco de edema e lesão”, alertou.

Kelly também citou o uso de recursos simples como alternativa para quem não tem equipamentos específicos. “Se não tiver o tubo de ressonância, dá para usar um canudo imerso em água. Isso ajuda a relaxar as pregas vocais e prevenir edemas”, explicou.

Projeto Voz em Alta aposta na prevenção

A entrevista também abordou o Projeto Voz em Alta, iniciativa voltada à promoção da saúde vocal, com foco na prevenção. Segundo Kelly Vieira, o projeto começa com uma avaliação individual. “A gente conversa, entende como a pessoa usa a voz no dia a dia e faz os ajustes necessários para evitar lesões. O objetivo é trabalhar a saúde, não a doença”, disse.

Durante o período do Carnaval, o projeto vai intensificar a orientação nas redes sociais. “Vamos publicar dicas diárias no Instagram, voltadas tanto para foliões quanto para profissionais da voz. Informação também é cuidado”, afirmou.

Ao final, Kelly reforçou o papel da voz para além do trabalho. “A voz é saúde, é comunicação, é qualidade de vida. É a identidade da pessoa. A voz é um abraço em quem escuta e precisa ser cuidada”, concluiu.