Saliva artificial feita com cana ajuda a proteger dentes de quem enfrenta câncer
Produto desenvolvido na USP fortalece o esmalte dentário
Por: Redação
01/02/2026 • 12:00
Pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (USP) criaram uma saliva artificial em forma de enxaguante bucal capaz de proteger os dentes de pacientes submetidos à radioterapia para câncer de cabeça e pescoço. O tratamento, que atua próximo à boca, pode danificar glândulas salivares, comprometendo a produção natural de saliva, essencial para controlar bactérias e prevenir doenças.
O ingrediente central do produto é a proteína CaneCPI-5, extraída da cana-de-açúcar e modificada em laboratório. Segundo os cientistas, a molécula se liga ao esmalte dentário, formando uma camada protetora que reduz o efeito de ácidos presentes em bebidas, sucos e no próprio estômago. Estudos com dentes de animais indicaram que a solução diminui a perda de minerais e a atividade bacteriana, contribuindo para a prevenção de cáries.
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O desenvolvimento do produto faz parte de uma linha de pesquisa que busca criar terapias para proteger o esmalte dentário e modular a microbiota da boca. A equipe testou diferentes formatos, como enxaguante, gel e filme orodispersível, com resultados consistentes na proteção dos dentes e na redução da ação de bactérias.
Além do enxaguante, testes foram realizados com gel e filme orodispersível, que se dissolve na língua liberando a proteína. Em todas as versões, a CaneCPI-5 apresentou efeito positivo na proteção do esmalte e no controle da microbiota oral. A combinação com flúor e xilitol mostrou-se ainda mais eficaz na prevenção de desmineralização e fortalecimento dos dentes.
Caminhos para uso em casa
O trabalho também investiga formas de tornar o produto mais acessível, incluindo estudos com peptídeos e vitamina E para facilitar a aplicação em casa. Segundo os pesquisadores, a CaneCPI-5 tem potencial para ser usada em tratamentos de boca seca temporários ou permanentes, dependendo da capacidade do paciente de produzir saliva naturalmente.
A proteína foi desenvolvida a partir de pesquisas com cistatinas da cana-de-açúcar e, ao se ligar fortemente a superfícies lisas, mostrou potencial para outras aplicações odontológicas, como controle de periodontite e auxílio na cicatrização de tecidos. A patente já foi depositada, e a produção em larga escala depende agora de parcerias com empresas interessadas na tecnologia.
