Historiador desmistifica lendas e relembra curiosidades de Salvador
Vinícius Jacob debateu a formação da cidade, piratas e a origem de bairros
Por: Domynique Fonseca
01/06/2026 • 15:00 • Atualizado
O pesquisador Vinícius Jacob (@bauhistoricodabahia) participou do programa Portal Esfera no Rádio, apresentado por Luis Ganem na rádio Itapoan 97,5 FM, nesta segunda-feira (1º), e trouxe uma série de curiosidades sobre a história de Salvador. Durante a entrevista, ele comentou lendas populares, explicou a origem de monumentos e bairros da capital baiana e relembrou fatos pouco conhecidos sobre a formação da cidade.
Um dos temas abordados foi a história do Pelourinho. Segundo Jacob, uma das interpretações mais difundidas sobre o local não encontra comprovação documental.
“Se alguém tiver uma prova que escravizados foram torturados no Pelourinho, até hoje a história não tem conhecimento”, afirmou.
O pesquisador explicou que o Pelourinho era utilizado como um símbolo do poder público e servia para a divulgação de decisões oficiais da administração colonial:
“O Pelourinho tinha em Portugal e tinha aqui em Salvador. Era na Praça Municipal. Qualquer decisão da Câmara era fixada no Pelourinho para a sociedade baiana tomar conhecimento."
Confusão histórica
Outro assunto tratado durante a entrevista foi o Dique do Tororó. Jacob destacou que existe uma confusão histórica envolvendo a participação dos holandeses na construção de estruturas de represamento de água na cidade.
“O que a pessoa confunde com o Dique do Tororó criado pelos holandeses era na Baixa dos Sapateiros. Os holandeses tinham a ciência de criar diques”, explicou.
Ao falar sobre o crescimento urbano da capital, o historiador destacou que grande parte da região do Comércio surgiu a partir de aterros realizados ao longo dos anos:
“As pessoas não sabem que Salvador é uma cidade aterrada. O Comércio, principalmente, e outras áreas próximas foram construídos sobre aterros."
Segundo ele, a expansão da cidade ocorreu inicialmente voltada para a Baía de Todos-os-Santos por razões econômicas e logísticas.
“Todo mundo usava barco. A comida vinha de Itaparica e do Recôncavo Baiano. A comercialização era feita pelo mar”, ressaltou.
Escudo contra as invasões
Jacob também relembrou o sistema de defesa utilizado durante o período colonial para alertar sobre possíveis invasões.
“Eles acendiam fogueiras. Uma região via a fumaça da outra e repassava o aviso até chegar ao Forte de Santo Antônio da Barra. A cidade se preparava para receber o invasor."
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Durante a conversa, o pesquisador ainda abordou a atuação de piratas nos mares que cercavam a colônia portuguesa.
“Tinha marinheiro que ganhava o equivalente a quase 400 salários mínimos em uma única viagem. Era muito dinheiro. Os piratas ficavam patrulhando as rotas em busca de ouro, mercadorias e especiarias”, disse.
Vinícius Jacob destacou que muitas narrativas populares ajudam a construir a identidade cultural de Salvador, mas defendeu a importância de confrontar essas histórias com documentos e pesquisas históricas para compreender a trajetória da capital baiana.
