“É mentira”, diz pesquisador sobre lenda do Mercado Modelo
Vinícius revela detalhes sobre histórias de escravos presos no subsolo do prédio
Por: Domynique Fonseca
15/05/2026 • 14:40
O professor e pesquisador Vinícius Jacob colocou em dúvida uma das lendas urbanas mais conhecidas de Salvador: a suposta “maldição” do Mercado Modelo. Durante participação no programa Portal Esfera no Rádio, apresentado por Luis Ganem, na 97,5 FM, nesta sexta-feira (15), ele afirmou que não existem registros históricos que comprovem que pessoas escravizadas tenham sido mantidas presas no subsolo do local.
Conhecido nas redes sociais pelo perfil “Baú Histórico da Bahia”, criado ainda no fim do século passado, Vinícius disse que muitas histórias populares sobre o Mercado Modelo acabaram sendo incorporadas ao imaginário coletivo sem base documental.
“Ali é uma grande mentira. Nunca nenhum escravo ficou nos porões da alfândega da Bahia, que hoje é o Mercado Modelo”, declarou durante a entrevista.
Segundo o pesquisador, o espaço subterrâneo era utilizado exclusivamente para armazenamento de mercadorias vindas da Europa, especialmente produtos considerados caros e sensíveis ao calor, como vinhos, azeites e conservas.
Tática de logística
Ele explicou ainda que os navios não atracavam diretamente no prédio. De acordo com Vinícius, as embarcações permaneciam afastadas da costa e pequenas embarcações faziam o transporte das cargas até o mercado.
Reprodução/ Instagram @mercadomodelo_oficial
Outra história frequentemente associada ao local também foi contestada pelo pesquisador: a existência de um túnel ligando o Mercado Modelo ao Forte de São Marcelo. “Nunca existiu”, afirmou.
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Apesar de rejeitar as versões sobre fantasmas e assombrações envolvendo o subsolo, Vinícius reconhece que o espaço naturalmente desperta sensações ligadas ao mistério por conta da estrutura antiga e da própria história do prédio, que já enfrentou incêndios e reconstruções ao longo dos séculos.
Durante o bate-papo, o pesquisador também fez críticas à dificuldade enfrentada por estudiosos que tentam acessar documentos históricos na Bahia. Segundo ele, a falta de digitalização e conservação adequada ameaça parte importante da memória do estado.
“O pesquisador sofre muito. Muitos documentos estão se perdendo. É preciso que os governos entendam que preservar esses arquivos é preservar a própria história”, disse.
Vinícius defendeu investimentos em digitalização de acervos públicos e citou como exemplo universidades estrangeiras que disponibilizam documentos históricos de forma online para consulta pública. Para ele, facilitar o acesso à informação é essencial para fortalecer o conhecimento sobre a história baiana.
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